Por Richard Miller e Enda Curran, Bloomberg
13/01/2023 11h08 Atualizado há 2 dias
A economia mundial começa o ano novo sob um clima mais otimista, embora isso não garanta que 2023 terminará com um cenário positivo.
Vários fatores – uma reabertura antes que o esperado da economia na China, um inverno com temperaturas acima do normal em meio à crise de energia na Europa e uma desaceleração sustentada da inflação nos EUA – se combinam para dissipar parte da melancolia que dominou os mercados financeiros no fim de 2022 e alimentam esperanças de que o mundo possa evitar uma recessão.
Mas, com o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e várias autoridades monetárias ainda avançando rumo a juros mais altos, o risco de um desaquecimento no fim do ano não pode ser descartado, especialmente se a inflação se mostrar persistente e não recuar tanto quanto os bancos centrais querem.
“Há um caminho estreito para um pouso suave”, disse o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, em webinar promovido pelo Atlantic Council em 11 de janeiro. “Vai ser difícil para as autoridades monetárias calibrarem a quantidade de contenção para conseguir isso.”
Ele aposta que os bancos centrais vão atingir o objetivo – e investidores também. Índices acionários de mercados emergentes estão em alta, e os preços dos títulos corporativos sobem na expectativa de que a economia mundial vencerá a inflação mais assustadora em décadas sem entrar em recessão.
Existem algumas razões para um otimismo cauteloso. As pressões sobre os preços esfriaram no mundo todo, em parte porque o crescimento global pisou no freio, mas também devido à redução dos gargalos nas cadeias de suprimentos que haviam sido bloqueadas pela pandemia e pela invasão da Ucrânia pela Rússia. O índice de preços ao consumidor nos EUA subiu 6,5% em dezembro em relação ao ano anterior, abaixo da máxima de 9,1% em junho.
A retração da inflação vai garantir o poder de compra de consumidores que passaram grande parte do ano passado pressionados pela alta dos preços, especialmente de itens essenciais como energia, alimentos e aluguéis. Isso também permitirá que os bancos centrais desacelerem os aumentos de juros, diminuindo o temor entre investidores de que os bancos centrais pudessem ir longe demais e “quebrar algo” nos mercados.
O Federal Reserve, sob comando de Jerome Powell, deve aliviar o aperto monetário e cortar a taxa básica em 0,25 ponto percentual na reunião entre 31 de janeiro e 1º de fevereiro, de acordo com apostas no mercado de futuros de fundos federais. A decisão seguiria um aumento de 0,5 ponto em dezembro e quatro altas de 0,75 p.p. antes disso.
O passo atrás levou a uma reversão da ascensão meteórica do dólar, o que diminuiu a pressão sobre outros bancos centrais para se igualarem ao Fed com juros mais altos para desacelerar a economia.
Já “vimos o pico da força do dólar”, disse a economista-chefe global do Kroll Institute, Megan Greene.
Outras vantagens: os mercados de trabalho permanecem fortes, enquanto as finanças das famílias e das empresas ainda se mostram saudáveis.
Quando os preços da energia, especialmente do gás natural, subiram no ano passado, uma recessão na Europa era dada como certa. Não mais: Hatzius, do Goldman, agora espera que a região consiga evitar uma recessão.
Isso graças ao clima ameno no inverno europeu e ao esforço conjunto para aumentar os suprimentos e expandir fornecedores para compensar as menores importações da Rússia. O resultado: a economia da zona do euro mostrou desempenho melhor do que o esperado: a produção industrial na Alemanha cresceu em novembro, apesar da forte dependência do país do fornecimento de energia da Rússia.
“O perigo de um colapso econômico completo, um colapso central da indústria europeia, foi – até onde podemos ver – evitado”, disse o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, no início deste mês.
Fonte: Valor Econômico
