Por Pedro Borg, Valor — São Paulo
27/02/2024 10h35 Atualizado há 23 horas
A economia dos Estados Unidos dá sinais de resiliência e não deve sofrer com recessão neste ano, porém o crescimento em 2024 deverá ser menor do que no ano passado, disse hoje a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, em coletiva de imprensa em São Paulo, onde está para participar de reunião de ministros das Finanças do G20.
No ano passado a economia americana registrou crescimento de 3,3%, superando expectativas do mercado e do Fundo Monetário Internacional (FMI), com alguns analistas prevendo uma recessão. Porém, uma atuação decisiva e bons resultados do mercado de trabalho do país reverteram o cenário.
Yellen destacou a resiliência americana durante a coletiva, ressaltando que mesmo em um cenário de mercado de trabalho aquecido, a inflação está convergindo para a meta, algo que deve se manter neste ano.
“Os resultados da economia americana mostram que a fonte da inflação nos últimos anos foi a pandemia e os efeitos dela”, disse Yellen.
A secretária também abordou os impactos dos conflitos atuais na economia global, minimizando os impactos econômicos da guerra na Faixa de Gaza e reforçando os apelos para que a Câmara dos Deputados dos EUA aprovem novo pacote de ajuda à Ucrânia.
Ao abordar o conflito no Oriente Médio, Yellen ressaltou apelos recentes feitos ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que o país libere recursos da Autoridade Palestina e que restabeleça a permissão para que pessoas que vivem na região possam trabalhar em Israel.
“O Tesouro está preocupado com a economia de Israel e a economia da Cisjordânia. Escrevi para o primeiro-ministro para falar sobre minhas preocupações sobre a região […] Bloquear residentes da Cisjordânia de trabalhar em Israel tem um efeito muito grande na economia local. As barreiras de movimento israelenses também tornam difícil o comércio local”, disse Yellen ao justificar a carta enviada ao líder israelense.
Ao falar sobre a guerra da Ucrânia, a secretária foi questionada sobre o uso de ativos russos congelados, uma discussão que começa avançar na Europa, mas que ainda não ganhou tração nos EUA. Yellen disse que, no caso americano, qualquer ação de confisco ou uso de ativos russos necessitam de uma nova legislação e disse que esse assunto precisa ser discutido em conjunto com parceiros do G7 para uma maior segurança jurídica.
“É importante que a gente descubra um jeito de usar o valor econômico dos ativos congelados russos. Confiscar seria o mais simples, mas isso nos EUA iria exigir uma legislação nova. Precisamos encontrar uma maneira de usar os ativos que respeitem a lei internacional. Queremos que o G7 e nossos aliados trabalhem juntos para desbloquear os valores dos ativos de acordo com leis locais e internacionais”, disse Yellen.
Fonte: Valor Econômico
