Por Agências Internacionais
27/04/2022 05h01 Atualizado há 5 horas
Ucrânia e Rússia se acusaram ontem de ataques na Transnístria, uma região separatista pró-russa na Moldova, que foi atingida por explosões de foguetes pelo segundo dia consecutivo. Os incidentes elevam o risco de o conflito na Ucrânia envolver a Moldova.
Kiev diz que os russos estão atacando o país vizinho para envolver a região disputada na Moldova na guerra da Ucrânia, enquanto o Kremlin acusa “terroristas” ligados aos ucranianos pelas explosões.
Moscou mantêm cerca de 1.500 soldados russos na Transnístria – uma faixa de 4.100 km2 (metade do tamanho da região metropolitana de São Paulo), incrustada entre a fronteira sul da Ucrânia e o restante da Moldova. Autoridades pró-Rússia da Transnístria, apoiadas por Moscou, informaram que os ataques danificaram duas antenas de rádio que transmitiam em russo e que uma das unidades militares russas locais foi atacada.
“Os vestígios desses ataques levam à Ucrânia”, disse o autoproclamado presidente da Transnístria, Vadim Krasnoselsky, citado pela agência de notícias russa Tass. “Suponho que os organizadores deste ataque têm o objetivo de arrastar a Transnístria para o conflito.”
Fontes independentes disseram não ter elementos suficientes para determinar a autoria dos ataques.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, responsabilizou Moscou pelas explosões, dizendo que a Rússia “está mostrando à Moldova o que esperar se continuar a apoiar Kiev”. “Vimos que outro passo está sendo planejado pela Rússia. Está claro por que, realmente, pretendem desestabilizar a região”, disse Zelensky em uma entrevista.
As autoridades da Ucrânia temem que a região da Transnístria possa ser usada como plataforma para o lançamento para ataques contra o sul de seu território. Os serviços de informações militares ucranianos argumentam que Moscou está a preparando um “ataque com mísseis contra a Transnístria com vítimas civis”, para em seguida acusar Kiev.
A Moldova, por seu lado, convocou uma reunião de emergência de seu conselho de segurança após os ataques. “As informações que temos neste momento são que essas tentativas de escalada derivam de facções de dentro da região da Transnístria, que são forças pró-guerra e estão interessadas em desestabilizar a situação na região”, afirmou a presidente moldava, Maia Sandu.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscou está acompanhando de perto os acontecimentos na Transnístria. Mais tarde, o Ministério das Relações Exteriores russo disse que a Rússia quer evitar um cenário em que tenha de intervir na Transnístria.
Os EUA disseram que está analisando a causa da recente violência na região. “Não tenho certeza do que se trata, mas é algo em que vamos nos manter focados”, disse o secretário de Defesa, Lloyd Austin.
A tensão separatista na Transnístria se arrasta desde 1990. Moscou diz que defende a população local de origem russa. Milícias separatistas têm o apoio militar russo. Um cessar-fogo de 1992 tem sido respeitado, apesar de escaramuças esporádicas.
Fonte: Valor Econômico
