Por Dow Jones — Barcelona
13/02/2023 08h22 Atualizado há 53 minutos
A economia da zona do euro deve crescer a um ritmo mais rápido do que o previsto anteriormente neste ano, evitando uma recessão técnica, mas as perspectivas permanecem fracas com a inflação e juros elevados pressionando sobre a atividade econômica, informou hoje a Comissão Europeia em suas projeções trimestrais.
Segundo a comissão, o Produto Interno Bruto (PIB) na zona do euro deve crescer 0,9% em 2023, acima do aumento de 0,3% previsto anteriormente para o período, em novembro de 2022. O desempenho melhor do que o esperado na economia deve-se principalmente aos preços mais baixos de energia, que contribuíram para aliviar as pressões inflacionárias nos últimos meses.
“A diversificação contínua das fontes de abastecimento e uma queda acentuada no consumo deixaram os níveis de armazenamento de gás acima da média sazonal dos últimos anos, e os preços do gás no atacado caíram bem abaixo dos níveis pré-guerra”, informou a Comissão Europeia.
Embora a ameaça de escassez de gás tenha se tornado menos aguda, ela ainda não pode ser descartada, disse a Comissão. Os preços à vista e futuros de energia podem subir novamente em meio a tensões geopolíticas contínuas, e a reabertura da China pode aumentar a demanda global de gás natural liquefeito e, assim, alimentar as pressões inflacionárias globais, afirmou.
A economia da zona do euro conseguiu uma pequena expansão no quarto trimestre de 2022, evitando assim uma recessão técnica neste inverno do Hemisfério Norte. As preocupações cada vez menores de uma crise energética devido a um inverno ameno e a ação do governo para proteger as famílias e empresas dos preços ainda altos da energia explicam em parte essa resiliência no fim do ano. “A confiança está melhorando e as pesquisas de janeiro sugerem que a atividade econômica também deve evitar uma contração no primeiro trimestre de 2023”, disse a Comissão.
Mesmo que as perspectivas para 2023 tenham melhorado, o ganho de produção de 0,9% esperado pela Comissão marca uma forte desaceleração em relação à expansão de 3,5% registrada pela zona do euro em 2022. “À medida que as pressões inflacionárias persistem, o aperto monetário deve continuar, pesando sobre a atividade empresarial e exercendo um peso sobre o investimento”, disse o relatório. O Banco Central Europeu (BCE) elevou sua principal taxa de depósito para 2,5% no início de fevereiro e disse que aumentaria as taxas em mais meio ponto percentual em março. Para 2024, a Comissão Europeia espera que a economia da zona euro cresça 1,5%, inalterada em relação à previsão anterior.
A inflação deve permanecer alta este ano, segundo as projeções, mas menor do que o previsto há três meses. A inflação da zona do euro é vista em média de 5,6% em 2023, abaixo dos 6,1% esperados anteriormente, já que os preços do petróleo e do gás diminuíram desde então. Os preços ao consumidor na zona do euro subiram 8,5% em janeiro em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados preliminares da Eurostat, abaixo do pico de 10,6% em outubro e seu nível mais baixo em oito meses.
Ainda assim, o núcleo da inflação – que exclui as categorias mais voláteis de alimentos e energia – ainda aponta para pressões inflacionárias subjacentes elevadas. O núcleo da inflação ainda não atingiu o pico, disse a Comissão Europeia.
A normalização dos preços da energia, aliada à ação do BCE, deve domar ainda mais a inflação para além de 2023, de acordo com a previsão da Comissão Europeia. A inflação deverá atingir uma média de 2,5% em 2024, abaixo dos 2,6% anteriormente previstos, estabilizando-se perto da meta de inflação de 2% no fim do horizonte de previsão.
Fonte: Valor Econômico
