Para além da incerteza externa, os dados mais recentes de inflação e atividade elevaram a cautela dos economistas de mercado. Na reunião realizada com diretores do Banco Central (BC) nesta segunda-feira (1º), voltou a ganhar força a leitura de que espaço para o Copom seguir cortando os juros está praticamente encerrado.
Neste contexto, os participantes do encontro relataram que as estimativas dão conta de apenas mais um ou dois cortes de 0,25 ponto na Selic neste ano, que poderia terminar 2026 ainda acima dos 14%.
Um dos participantes da reunião, que conversou com o Intraday em caráter reservado, resumiu o sentimento do encontro como de muita preocupação. “Está começando a se desenhar um cenário de Selic a 14%. O tom foi bem alinhado ao da entrevista do Bruno Serra [publicada hoje] de que teríamos mais um ou dois cortes neste ano. Todo mundo revisando PIB para cima vendo os efeitos das medidas do governo, além das incertezas sobre o cenário da guerra”, afirma.
Segundo este interlocutor, as projeções de inflação dos economistas que participaram da primeira reunião de hoje para 2026 variavam entre os 5% e 5,2%. E, para o próximo ano, as projeções estão próximas dos 4,1%. Além disso, as revisões para o crescimento do PIB em 2026 também ganharam força e, de modo geral, as projeções passaram dos 1,8% para a casa dos 2%. “Se confirmar esse crescimento de 2% do PIB neste ano, a desaceleração vai ser muito tímida”, afirmou.
Segundo relatos, houve até mesmo um participante do encontro que, em seu cenário mais pessimista, apontou que a Selic poderia precisar voltar a subir até a faixa dos 15,25% para que a inflação convergisse à meta no horizonte relevante. “Mas o próprio autor do exercício apontou que não era um cenário base de elevada probabilidade”, pondera.
Um participante do segundo encontro relatou que “o clima não estava bom” e que o pessoal estava bem mais “hawk” [favorável a juros mais altos] do que o normal. “Os números da semana passada assustaram”, resumiu.
Fonte: Valor Econômico

