O dinheiro entrando no Brasil atualmente é “dinheiro tático”, fruto da liquidez “extraordinária” no mercado internacional, disse Alexandre Bettamio, presidente de Corporate & Investment Banking do Bank of America (BofA).
O crescimento econômico americano excepcional dos últimos anos têm impulsionado o mundo, segundo Bettamio. “Capital tem sido feito em abudância, liderado por inovação e tecnologia”, afirmou durante evento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) hoje em Nova York.
Se o Brasil quiser atrair esse capital de forma mais estrutural, no entanto, precisa apresentar as condições adequadas de risco e retorno, apontou Bettamio. Para isso, disse, o país precisa ter “grau de investimento” nas agências de classificação de risco. “Senão, o montante de dinheiro disponível para nós é reduzido.”
Isso, por sua vez, depende de uma política fiscal crível, segundo Bettamio. “Acertando o risco fiscal, capital vai entrar no Brasil, porque o Brasil é muito atraente”, disse, citando o amplo mercado consumidor, a relevância econômica, as fontes de energia limpa, a produção da agropecuária e a digitalização do país.
Ilan Goldfanj, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ex-presidente do Banco Central do Brasil, disse que a situação atual no mundo não é de “business as usual” e que “todos têm de se reinventar”, porque não há recursos suficientes vindo do setor público para desenvolvimento. “Os recursos são escassos, há dívidas elevadas”, afirmou.
“Usar recursos públicos de forma a multiplicar recursos privados é o segredo para esse momento”, disse.
Sem o Brasil endereçar a questão fiscal, “esquece o resto”, afirmou Bettamio. Ele disse, porém, que outras “condições mínimas” também precisam ser trabalhadas, como a formação do capital humano e a desburocratização do ambiente de negócios.
Vital do Rego, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), disse que o Brasil precisa diminuir a burocracia e a insegurança jurídica para reduzir esse “custo Brasil”.
José Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, acrescentou que o banco público também tem um papel estratégico para pensar o longo prazo, incluindo o apoio à inovação, cuja mensuração de riscos não é simples.
Fonte: Valor Econômico
