Mercado pode movimentar até R$ 1 bilhão em 2024, aponta estudo
Por Eliane Silva — Ribeirão Preto (SP)
07/11/2023 06h50 Atualizado há 8 horas
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Cerca de 430 mil brasileiros realizam tratamentos com medicamentos à base de cannabismedicinal e esse mercado deve movimentar R$ 699 milhões neste ano no país, segundo o mapeamento divulgado nesta terça (7/11) pela Kaya Mind, startup brasileira especializada em dados e inteligência de mercado no segmento da cannabis, do cânhamo e de seus periféricos.
Considerando informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o II Anuário da Cannabis Medicinal no Brasil da Kaya aponta que 219 mil pacientes importam medicamentos de cannabis no Brasil, 97 mil têm acesso aos medicamentos à base de cannabis nas farmácias e por volta de 114 mil pacientes fazem o tratamento via associações.
Segundo o Kaya Mind, os pacientes da cannabis medicinal se dividem em mais de 3.671municípios pelo país, ou seja, 66% das cidades têm ao menos um paciente usando óleo, pomada e outros produtos derivados da planta.
De acordo com Maria Eugênia Riscala, cofundadora e CEO da Kaya Mind, o crescimento no número de pacientes ocorre devido à quantidade e qualidade de informações sobre o tema.
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As estimativas apontam que, em 2024, o mercado da cannabis vai atingir R$ 1 bilhão no país, com mais de 10% sendo movimentado no SUS (Sistema Único de Saúde). Para se ter uma comparação do crescimento, em 2018 esse mercado era de apenas 3,7 milhões.
Segundo a Kaya, se houvesse uma regulamentação que incluísse o uso medicinal, industrial (para fabricação de roupas, fibras e alimentos) e adulto ou recreativo da planta, em quatro anos, o setor geraria R$ 26,1 bilhões à economia brasileira.
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Nos Estados Unidos, onde o cultivo é legalizado em 38 Estados, de acordo com o Departamento de Agricultura (USDA), o plantio de 11,5 mil hectares gerou uma receita de US$ 212 milhões. Lá o consumo, tanto medicinal, quanto recreativo, é legalizado em 24 dos 50 Estados.
Um total de 1.034 empresas e associações de cannabis medicinal atuam no país, sendo que mais de 500 trabalham na facilitação ao acesso e importação de produtos à base de cannabis medicinal e 137 são associações de pacientes.
Entre as associações, a pioneira é a Abrace (Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança), da Paraíba, que tem a maior plantação de cannabis legal do país, com 4 hectares. Em 2017, ela conseguiu na Justiça autorização para cultivar, processar e fornecer a seus associados medicamentos à base de cannabis em forma de óleos e pomadas.
Com exceção das associações com autorização judicial, é proibido desde 1938 cultivar a cannabis no país devido às qualidades psicoativas da planta.
Cânhamo industrial
Na Câmara e no Senado tramitam há anos projetos de lei para legalizar o consumo, produção e comercialização dos medicamentos. O projeto mais avançado na Câmara, o 399/2015, tem um substitutivo que trata também da liberação do plantio do cânhamo industrial, tema que interessa muito ao setor do agronegócio.
O cânhamo industrial é uma das muitas subespécies da Cannabis sativa L., planta popularizada como maconha no Brasil e como “hemp” nos EUA que começou a ser cultivada há pelo menos 6 mil anos no mundo e serve para produção de medicamentos, alimentos e fibras.
A cepa que produz o cânhamo industrial tem menos de 0,3% de tetraidrocanabinol (THC), composto que dá euforia quando o usuário fuma suas flores, e a planta é mais alta e “magra” que a popular maconha.
Banco de sementes
No mês passado, o pesquisador Derly José Enriques da Silva, da Universidade Federal de Viçosa, pediu à Anvisa autorização para cultivar 5 mil pés da planta visando criar um banco genético de sementes na universidade.
A iniciativa não agradou ao agrônomo Lorenzo Rolim da Silva, presidente da LAIHA (Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial). Segundo ele, a criação desse banco de sementes pode resultar em um monopólio, concedendo a uma única instituição um controle significativo sobre um setor que tem grande potencial econômico e social.
Rolim afirma que a demora absurda na regulamentação da cannabis medicinal e industrial no Brasil e a falta de regras claras e equitativas para todos os interessados contribuem para a atual situação confusa da cannabis no Brasil, país que, na sua opinião, se tornou vítima de um lobby internacional prejudicial que criou um mercado 100% abastecido por importações.
Fonte: GloboRural