A receita e o lucro da Nvidia no segundo trimestre de 2025 superaram as estimativas, mas as ações caíram após o balanço.
Em 27 de agosto de 2025, a gigante de semicondutores reportou US$ 46,74 bilhões em receita e US$ 1,05 de lucro por ação ajustado, ambos acima das previsões dos analistas. A companhia também projetou vendas de cerca de US$ 54 bilhões para o terceiro trimestre.
Apesar dos resultados positivos, as ações da Nvidia recuaram no after-market, já que a receita de data centers ficou aquém das projeções pelo segundo trimestre consecutivo, levantando sinais de desaceleração do crescimento.
A seguir, os destaques da teleconferência:
1. Remessas dos chips H20 para a China seguem incertas
A CFO Colette Kress afirmou que a Nvidia ainda não enviou nenhum chip H20 para a China neste trimestre, embora alguns clientes tenham recebido licenças recentemente.
Ela disse que as remessas poderiam somar entre US$ 2 bilhões e US$ 5 bilhões se as restrições diminuíssem, mas a empresa excluiu essa receita da projeção do 3º trimestre. A companhia também sugeriu uma remessa de 15% ao governo dos EUA sobre vendas licenciadas, embora nenhuma regra tenha sido finalizada.
“Temos apenas que continuar defendendo”, disse o CEO Jensen Huang.
“É o segundo maior mercado de computação do mundo e também a casa dos pesquisadores de IA. Cerca de 50% dos pesquisadores de IA do mundo estão na China. Portanto, acho bastante importante que as empresas de tecnologia americanas possam atender a esse mercado.”
David Wagner, chefe de ações da Aptus Capital Advisors, escreveu em nota ao Business Insider que a reação negativa do mercado parece um “reflexo incorreto e precipitado” e que a taxa atual de crescimento da empresa ainda é “notável”.
“Na verdade, achei a melhor parte do relatório a orientação de margem bruta de 73,5%, mostrando resiliência da lucratividade mesmo sem nenhuma receita dos H20 na China”, disse Wagner.
2. Perspectiva de vendas é morna
A Nvidia projetou receita de US$ 54 bilhões para o 3º trimestre, com margem de 2%, acima da estimativa dos analistas de US$ 53,4 bilhões.
No entanto, a projeção não inclui as vendas dos H20 para a China, ainda incertas. A companhia também aprovou US$ 60 bilhões adicionais em recompras de ações.
Brian Mulberry, gestor sênior da Zacks Investment Management, comparou a situação da Nvidia à da Tesla em momentos de bons resultados financeiros, mas com guidance de crescimento mais fraco.
“Agora a NVDA está crescendo ‘apenas’ a 50-55%, bem menos do que os 100%+ de crescimento da receita do ano passado”, disse Mulberry. “À medida que esse momentum desacelera, o mesmo acontece com a energia do papel.”
3. Escalada nos gastos com infraestrutura de IA
A Nvidia prevê que os investimentos em infraestrutura de IA atinjam entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões até 2030, segundo Kress. A CFO chamou isso de “uma oportunidade significativa de crescimento de longo prazo”.
Os comentários vêm no momento em que as Big Tech aumentam o capex em IA, impulsionando inclusive o crescimento do PIB, embora líderes como Sam Altman, CEO da OpenAI, tenham alertado sobre possível exagero dos investidores.
Nesta semana, o JPMorgan destacou em relatório que o alto capex sinaliza fortes perspectivas para IA.
“Cremos que os fundamentos de curto prazo da IA são fortes, impulsionados pelos investimentos em capex hyperscale”, escreveu o banco. “Essa tendência é evidente na revisão para cima dos gastos de capex na temporada de resultados do 2º trimestre de 2025 pelas empresas de nuvem/hyperscale e nos fortes resultados/orientações divulgados por outros beneficiários da IA.”
4. Robótica pode impulsionar o próximo ciclo de crescimento
O desenvolvimento de modelos de IA sustentou o crescimento da Nvidia nos últimos anos. Agora, o próximo vetor pode ser a robótica.
“Aplicações robóticas exigem exponencialmente mais capacidade de computação no dispositivo e na infraestrutura, representando um motor significativo de demanda de longo prazo para nossa plataforma de data centers”, disse Kress.
Embora ainda seja uma pequena parte dos negócios da Nvidia, Huang e Kress destacaram sinais de expansão.
O Jetson AGX Thor, a mais recente plataforma de computação robótica da Nvidia, foi lançado nesta semana. Kress afirmou que a adoção do Thor “está crescendo em ritmo acelerado”, com mais de 2 milhões de desenvolvedores levando a plataforma ao mercado.
A CFO também informou que a receita automotiva aumentou 69% ano contra ano, alcançando US$ 586 milhões, impulsionada principalmente pelos carros autônomos.
5. Chips Rubin de próxima geração já em produção
Kress afirmou que o sucessor da arquitetura Blackwell, os chips Rubin, está no caminho para entrar em produção em larga escala em 2026, oferecendo aos investidores inovação, previsibilidade no ciclo de produtos e geração de receita.
Embora poucos detalhes tenham sido revelados, Kress disse que os chips já estão “in fab” — ou seja, no processo de fabricação.
“Isso nos mantém no ritmo de uma cadência anual de produtos e inovação contínua em computação, redes, sistemas e software”, disse Kress.
Fonte: Business Insider
Traduzido via ChatGPT
