A semana que começa hoje concentra a atenção do mercado global na tríade inflação-atividade nos Estados Unidos, com a divulgação do CPI de junho nesta terça-feira, do PPI na quarta e das vendas no varejo na quinta-feira, em meio a uma agenda intensa de pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve. A avaliação é do BTG Pactual, em relatório assinado pelo estrategista Arthur Mota.
Segundo as projeções do banco, o CPI cheio deve recuar 0,08% na comparação mensal, com o núcleo avançando 0,23%, resultado que levaria a taxa anual do índice cheio a desacelerar para 3,8%, ante 4,2% em maio, e o núcleo para 2,8%, ante 2,9%. A equipe atribui a deflação esperada no headline sobretudo à normalização dos preços de energia, após a resolução do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio em junho e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz — fatores que levaram o petróleo a recuar e reverteram parte do choque de gasolina observado no mês anterior.
Apesar do alívio esperado no headline, o BTG pondera que a leitura isolada do CPI pode mascarar pressões mais persistentes. Como o PCE — medida de inflação preferida do Fed — dá peso maior ao chamado supercore, a narrativa para o deflator de consumo tende a ser menos benigna do que sugere o CPI. O ISM de serviços de junho, já divulgado, reforça esse diagnóstico: o índice permaneceu em 54,0 pontos, com preços pagos ainda elevados, em 67,7 pontos, e o subíndice de emprego retornando a território expansionista, em 51,2 pontos.
Na avaliação do banco, mesmo que o CPI confirme desinflação marginal sem surpresas no núcleo, o resultado traria apenas alívio de curto prazo, insuficiente para descartar novas altas de juros em setembro e dezembro. O BTG mantém projeção de taxa terminal entre 4,00% e 4,25% ao final do ano.
Para o PPI de junho, a expectativa é de estabilidade no headline e alta de 0,3% no núcleo ex-alimentos e energia, com desaceleração anual do final demand para 6,2%. Já as vendas no varejo devem desacelerar na margem, com alta de 0,3% no agregado e avanço de 0,4% no grupo de controle — componente mais relevante para o cálculo do consumo no PIB —, quadro que o banco considera compatível com consumo ainda resiliente no segundo trimestre.
Fed dividido, sinais mistos no exterior
A comunicação do FOMC ao longo da semana deve expor divisões dentro do comitê: Bowman e Waller devem manter tom dovish nesta segunda-feira, enquanto Logan e Schmid tendem a reforçar viés hawkish na quinta. Warsh presta depoimento ao Congresso na terça e quarta-feira.
No exterior, o BTG destaca a leitura final do CPI da Zona do Euro, que deve confirmar desaceleração para 2,8% no headline e 2,4% no núcleo, com o Banco Central Europeu mantendo espaço para pausa em julho — o banco projeta ainda duas altas de 25 pontos-base em 2026. No Reino Unido, o PIB de maio deve mostrar leve expansão de 0,1%. Na China, o PIB do segundo trimestre, também aguardado nesta semana, deve desacelerar para 4,5% ante 5,0% no trimestre anterior, em um quadro que o banco descreve como bifurcado: exportações e manufatura de alta tecnologia seguem robustas, enquanto consumo privado e mercado imobiliário permanecem frágeis.
Fonte: BTG Macro Weekly
