O ASA, instituição financeira fundada por Alberto Safra, começou 2026 com bastante otimismo, ampliando a exposição a riscos nas carteiras graças a um cenário macro global que vinha desde o ano passado favorecendo emergentes como o Brasil. Depois de um primeiro semestre em que o exterior ditou o ritmo, a casa agora se prepara para meses em que o cenário local deve tomar o protagonismo e comandar os rumos do mercado.
Asa: visibilidade fica comprometida no 2º semestre e depende diretamente das sinalizações sobre condução econômica que serão dadas no processo eleitora. (Imagem Adobe Stock)
O grande tema que vai determinar se aquela projeção otimista traçada lá atrás pelo head de investimentos Rogério de Freitas, de um Ibovespa em 300 mil pontos em dois anos, sairá do papel são as eleições.
“De 2025 até agora, os vetores globais foram muito importantes, muito mais do que os domésticos. Mas o segundo semestre será diferente. Estamos em um equilíbrio ‘não muito bom’ de política monetária e fiscal que não é sustentável para frente, é preciso fazer uma necessária discussão sobre o tamanho do Estado”, disse em conversa com jornalistas nesta terça-feira (14).
A previsão dos 300 mil pontos não saiu do radar, mas é condicionada a uma política “fiscalmente responsável”, disse o head, que seria capaz de ancorar as expectativas de inflação, reduzir a taxa de juro neutra do País e atrair de novo investimentos.
O ASA entende que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem espaço para continuar a reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual no encontro de agosto. Depois, a visibilidade fica comprometida e depende diretamente das sinalizações sobre condução econômica que serão dadas no processo eleitoral.
Com essa falta de visibilidade sobre os rumos do mercado nos próximos meses, a casa não realizou nenhuma mudança na alocação de investimentos. A carteira segue com um grau a mais de risco, o que garantiu uma boa performance para os clientes no primeiro semestre. Mas sem perder o foco na preservação e proteção de patrimônio, um dos pilares na gestão da alta renda, o foco do ASA.
“Tenho falado da necessidade de se defender dentro de um ambiente de repressão financeira, já que, por mais que o juro esteja alto, a inflação também está. O ponto mais importante na gestão de patrimônio é preservar o poder de compra da família em janelas longas, e isso passa por investir em ativos reais”, diz Freitas. “Bolsa, com ações de empresa que conseguem repassar a inflação, e NTN-Bs.”
No exterior: Bolsa em vez de renda fixa
A alocação em Bolsa do ASA está sendo construída unindo gestão ativa e passiva, justamente porque, sem visibilidade sobre qual será o cenário fiscal dos próximos anos, é difícil apontar papéis vencedores. “Se formos no caminho da reeleição da atual política fiscal, estar no Ibovespa, com commodities e bancos, é estar protegido. Mas se o caminho for o da disciplina fiscal, o gestor ativo é quem vai performar bem. Na dúvida, estamos fazendo o simples, unindo a alocação passiva via ETFs com gestores ativos”, explicou o head.
No exterior, a casa também prefere a alocação em Bolsa à renda fixa. Apesar das ações americanas, especialmente as ligadas a tecnologia, terem voltada a atrair as atenções – e o capital global – Charles Ferraz, head global de investimentos do ASA, vê espaço para que os ativos continuem a se valorizar.
“Não há uma bolha na Bolsa americana pelo motivo simples de que as empresas estão entregando resultado. Se os números seguirem em linha com o que esperamos, para o múltiplo de preço sobre lucro continuar igual, a valorização à frente estaria na ordem de 8% a 10%”, destacou Ferraz. “É um mercado que vale a pena e todo investidor deveria estar pensando em ter uma parcela lá fora.”
Fonte: Estadão


