Maior recuperação extrajudicial em curso do país, com dívidas de R$ 65 bilhões, o processo da RaízenCotação de Raízen coloca na berlinda um dos maiores grupos empresariais do país.
Joint venture entre CosanCotação de Cosan e Shell, a Raízen reuniu os ativos de açúcar e etanol de Rubens Ometto e os negócios de distribuição de combustíveis do empresário com a multinacional anglo-holandesa em 2011, quando Ometto começou a expandir seu conglomerado industrial.
Operação redesenhou o mercado de distribuição de combustíveis do país, com a BR Distribuidora (da Petrobras) e Ipiranga como concorrentes, e o negócio de açúcar e etanol se consolidou na liderança, com a estratégia da maior companhia global de energia limpa.
A Raízen começou a fazer pesados investimentos de expansão e passou a abarcar sob seu guarda-chuva outros negócios, como a rede Oxxo, e projetos bilionários de etanol de segunda geração. Esse último pesou no balanço da companhia e a operação não se mostrou viável como o previsto.
A crise financeira na Raízen começou a se tornar pública em 2024, com a saída do executivo Ricardo Mussa, e a venda de ativos de açúcar e etanol e geração de energia distribuída, considerados não estratégicos para o grupo.
Quase na mesma época, o grupo Cosan tornou-se acionista minoritário da Vale, após um desembolso bilionário de Ometto, que tinha a ambição de ser um acionista relevante na mineradora.
O problema é que a conta não fechou. As pesadas dividas da Raízen, sob a taxa de juros alta, ficaram impagáveis, em um período que o mercado de capitais enfrentava uma seca para ofertas de ações.
O grupo tentou abrir o capital da Compass (gás), na B3, e da Moove (lubrificantes), em Nova York, mas as ofertas ficaram abaixo do que o conglomerado esperava.
Pragmático, Ometto zerou a posição na Vale, levantando R$ 9 bilhões, mas a Raízen tornou-se um poço de problemas para o grupo.
Na terça-feira (10), o grupo Cosan informou a analistas que deverá vender participações de suas empresas para levantar capital. O grupo tem importantes ativos na mesa. Além de Compass e Moove, é dono da Rumo (ferrovia) e da Radar.
Mas o poder de barganha não está mais favorável ao empresário no momento. Os investidores vão insistir em descontos das ações.
E o processo de recuperação extrajudicial da Raízen deverá ser a prova de fogo para o conglomerado do empresário, que tentou nos últimos meses negociar com a multinacional Shell alternativas para evitar a atual reestruturação da companhia, sem sucesso.
Os próximos meses serão “uma negociação sangrenta”, como definiu na terça-feira um dos assessores jurídicos da Raízen ao Valor.
Fonte: Valor Econômico


