O fundo hedge Caxton Associates perdeu pelo menos US$ 600 milhões com as turbulências no mercado neste mês, desencadeadas pela guerra no Oriente Médio.
O fundo Macro da Caxton, de US$ 9 bilhões em ativos, sofreu uma desvalorização de 7% na semana passada, segundo duas fontes a par dos retornos. O fundo agora acumula uma perda de cerca de 1% no ano, com as fortes oscilações nos preços da energia e dos títulos de dívida provocando um revés para os chamados fundos macro, que buscam lucrar com apostas em tendências econômicas.
A Tudor Investment Corporation, outro importante fundo macro administrado por Paul Tudor Jones, perdeu 1,8%, segundo fontes, embora ainda registre uma valorização de 0,9% no ano.
Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã sacudiram os mercados. Em retaliação, o Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, levando o preço do petróleo para mais de US$ 100 o barril nesta semana, em negociações altamente voláteis.
Os investidores passaram a apostar que o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu (BCE) serão forçados a responder ao choque inflacionário da energia adiando cortes nas taxas de juros, ou mesmo elevando o custo dos empréstimos. Os títulos da dívida pública do Reino Unido (gilts) foram os mais duramente afetados pela consequente venda massiva de dívida.
Andrew Law, executivo-chefe da Caxton, havia demonstrado anteriormente otimismo com as perspectivas para os gilts, dizendo ao “Financial Times” em novembro que os custos dos empréstimos no Reino Unido poderiam cair para níveis mais próximos dos observados em outras grandes economias, acrescentando que, em sua avaliação, havia “um erro de precificação” nos rendimentos desses papéis.
A Caxton não respondeu imediatamente a um pedido para comentários feito nesta quarta-feira. Tudor não quis comentar.
Outras operações populares de fundos hedge com títulos, como as chamadas “steepener bets” (apostas de inclinação da curva de juros), que partem da premissa de que a dívida de curto prazo terá desempenho superior, também foram viradas do avesso pelo colapso do mercado, segundo operadores.
“Houve muito sofrimento no mercado”, diz um operador experiente, descrevendo uma operação de preço “apertada”, já que os fundos hedge foram forçados a sair de posições deficitárias. “Nenhuma alocação funcionou, exceto reduzir a alavancagem”, diz outro operador. “Todo mundo perdeu dinheiro.”
Bruce Kovner, fundador da Caxton, e Tudor Jones estão entre os traders macro mais conhecidos de Wall Street. Eles construíram sua reputação no auge dessa estratégia, nos anos 90, quando operadores como George Soros e Stanley Druckenmiller apostavam bilhões de dólares na direção de economias de diferentes países, negociando moedas, bônus e outros ativos. Kovner entregou totalmente o comando de seu fundo hedge a Law em 2011.
Depois de um período difícil após a crise financeira global, os fundos macro vinham passando por um renascimento e tiveram em 2025 seu melhor ano desde pelo menos 2008. Mas os fundos do setor precisaram lidar este ano com um período de forte volatilidade, desencadeado pela operação dos EUA para derrubar o líder venezuelano Nicolás Maduro, no começo do ano, e agora com a guerra no Irã.
“O clima era muito positivo no começo do ano”, diz um gerente de portfólio de uma firma concorrente, acrescentando que os fundos macro vinham tendo um bom desempenho, especialmente nos mercados emergentes. “Isso mudou completamente em uma semana.”
A escala das oscilações do mercado nas últimas semanas colocou à prova a capacidade desses fundos de sair rapidamente de posições que começam a dar errado.
“É um evento para todos os investidores, não só para os investidores macro”, diz um proeminente gestor de fundo hedge macro. “[O presidente dos EUA Donald] Trump mostrou que não tem receio de usar um porrete bastante pesado. Para um operador, é um bom momento para se manter discreto.” (Colaborou Ian Smith)
Fonte: Valor Econômico
