Fábrica da companhia indiana, que fornece ao setor farmacêutico no país e exporta metade da produção, está situada em Pouso Alegre (MG)
Por Cibelle Bouças — De Belo Horizonte
A fabricante indiana de cápsulas para o setor farmacêutico e de nutrição ACG Cápsulas, coloca em prática um plano de investimentos de US$ 60 milhões (R$ 300 milhões) para o período de 2023 a 2025, com o objetivo de dobrar a sua capacidade de produção no Brasil. O investimento supera os US$ 50 milhões aportados pela companhia para instalar a sua operação fabril em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, em 2019.
A primeira fase do projeto foi concluída semana passada, com a instalação de quatro linhas de produção, que se juntam às dez linhas existentes na fábrica de Pouso Alegre. O gerente geral de vendas e marketing para o Brasil e América Latina da ACG, Raphael Sideris, disse que a capacidade da planta aumenta 60%, passando de 12,5 bilhões para 20 bilhões de cápsulas por ano. “Os equipamentos foram desenvolvidos pela ACG, fabricados na Índia e montados no Brasil”, afirmou Sideris. O investimento nessa fase foi de US$ 20 milhões (em torno de R$ 100 milhões).
A fábrica produz cápsulas duras de gelatina de origem animal, usadas para produtos farmacêuticos e nutracêuticos. Das quatro linhas de produção novas, uma será de produção de cápsulas inalatórias, usadas com algum dispositivo para inalação. Sideris disse que essas cápsulas têm menos lubrificação na parede interna e exigem um controle de peso mais apurado. Foi feito investimento de R$ 2 milhões na máquina de controle de peso e transferência de tecnologia.
“É um novo produto disponível para o mercado brasileiro. Já temos na base os clientes que usam essas cápsulas, mas não conseguíamos atender antes”, disse Sideris. Ele citou o laboratório Aché, fabricante do Alenia, e a Eurofarma com o medicamento Lugano.
A segunda fase envolve a construção de uma unidade para produzir cápsulas de gelatina vegetal, que hoje são importadas pela empresa da Índia. No Brasil, a ACG só produz cápsulas de gelatina de origem animal. “A unidade será construída a partir do segundo semestre de 2024, se o mercado continuar crescendo no ritmo esperado”, afirmou Sideris. A planta será instalada em Pouso Alegre, com investimento de US$ 20 milhões.
A ACG Cápsulas prevê para este ano um crescimento de 30% em receita no Brasil, chegando a US$ 100 milhões. Sideris disse que as vendas no país podem crescer mais quando o governo federal retomar as compras de medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A terceira fase será de instalação de uma fábrica de cápsulas semi-elaboradas. A empresa também pretende produzir cápsulas que comportam ingredientes líquidos e secos lado a lado, separados por uma membrana gelatinosa. A última fase de expansão será realizada no segundo semestre de 2025. Com isso, a ACG terá capacidade de 25 bilhões de cápsulas por ano.
A operação no Brasil exporta 50% da produção para América Latina, África e Estados Unidos e pretende manter esse percentual após ampliar a capacidade produtiva. “A ideia é aumentar a nossa participação de mercado de 54% para pelo menos 60%”, afirmou Sideris.
A ACG também tem no país negócios de equipamentos de engenharia e produção de filmes e folhas de alumínio para embalagens farmacêuticas. A operação brasileira representa 20% do negócio do grupo no mundo. A receita este ano deve atingir US$ 200 milhões.
Fonte: Valor Econômico