Integrantes do Ministério da Fazenda enxergam uma janela até julho deste ano para avançar em debates internacionais que a pasta considera prioritários, como o que será discutido no G20 e a atração de investimentos sustentáveis para o Brasil. A avaliação é que, a partir do segundo semestre, as atenções mundiais estarão voltadas principalmente para as eleições presidenciais americanas.
A possível volta ao poder do ex-presidente Donald Trump à Casa Branca é, inclusive, vista com preocupação no Ministério da Fazenda. O motivo da preocupação é a incerteza global que a vitória do candidato republicano poderá trazer – o que por sua vez teria impactos negativos sobre a economia mundial e, consequentemente, sobre os investimentos e a atividade econômica no Brasil.
Além das eleições americanas, uma série de fatores deve fazer com que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diminua o número de viagens para o exterior neste ano, na comparação com 2023. São eles: reuniões do G20 no Brasil, que naturalmente trarão atores internacionais importantes para o país; eleições municipais, com as quais Haddad deve ter algum nível de envolvimento; eleições presidenciais em outros países como Índia, Rússia e na Europa.
Um fator, na avaliação do Ministério da Fazenda, que poderá trazer algum empecilho para determinadas negociações bilaterais do Brasil ao longo do ano é o fato de o país ocupar a presidência do G-20 até 30 de novembro. O próprio Haddad é o presidente da trilha financeira do grupo, o que tenderia a atrair nesse período mais a atenção de seus interlocutores do que as oportunidades de investimento no Brasil, por exemplo.
Até aqui, o planejamento feito na pasta prevê que possíveis viagens do ministro foquem em grande parte na América Latina. O objetivo é tanto manter firmes as relações dentro do Mercosul quanto tratar sobre minerais críticos, tributação internacional e mudanças climáticas com “parceiros estratégicos” da região. Exemplos deste caso são Chile e Colômbia. Outra possibilidade são encontros no exterior com representantes de países já visitados por Haddad, como a Alemanha. A ideia é que, depois da “reapresentação diplomática” do país para o mundo em 2023, o Ministério da Fazenda reforce a imagem do Brasil como uma “potência econômica verde”. Também existe a chance de que o ministro acompanhe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em poucas viagens selecionadas.
Fonte: Valor Econômico
