A China criou novas unidades independentes do Exército de Libertação do Povo nas áreas de informação, e operações cibernéticas e espaciais em sua mais ampla reorganização militar em quase uma década.
A antiga Força de Apoio Estratégico foi desmembrada e substituída por três novos braços, um dos quais, a Força de Apoio de Informação, será responsável por reunir e analisar informações, construir redes de comunicação e proteger sistemas vitais.
Ela “tem uma grande responsabilidade de promover o alto nível do desenvolvimento militar e vencer uma guerra moderna”, disse o presidente chinês Xi Jinping em um evento na sexta-feira que marcou a criação da Força de Apoio de Informação.
O principal comandante dessa força é o tenente-general Bi Yi, cuja carreira militar inclui servir como vice-comandante da Força Terrestre do Exército de Libertação do Povo.
O jornal oficial dos militares, o “Diário do Exército de Libertação do Povo” escreveu em um comentário publicado no sábado, que “a guerra moderna é um confronto entre sistemas” e “aqueles que aproveitam a vantagem da informação tomam a iniciativa”.
O Exército de Libertação do Povo agora é formado por quatro divisões – terrestre, naval, aérea e de foguetes –, além de quatro braços: informação, aeroespacial, cibernético e apoio logístico conjunto.
Ao anunciar a reorganização na sexta-feira, o porta-voz do Ministério da Defesa, Wu Qian, disse que a força cibernética é necessária para reforçar as defesas cibernéticas das fronteiras nacionais, detectar e combater intrusões na rede e manter a segurança de informações. A força aeroespacial vai melhorar o acesso e a capacidade da China de usar o espaço sideral, segundo Wu.
Em um discurso em março, Xi deu instruções aos militares para reforçar sua presença no espaço cibernético e no espaço sideral, chamando-os de áreas emergentes de capacidades estratégicas. Os três novos braços parecem estar sobre o controle direto da Comissão Militar Central, o mais alto órgão de decisão militar da China. Xi lidera a comissão.
Uma fonte do Ministério da Defesa do Japão disse que a Unidade de Apoio Estratégico por si só tinha uma capacidade limitada de lidar com todos os aspectos da informação e das operações espaciais e cibernéticas. A reorganização “provavelmente tem como objetivo tornar cada braço independente e aumentar seus níveis de especialização”, afirmou a fonte.
A grande reorganização militar anterior sob o comando de Xi, em 2015, buscou modernizar o Exército de Libertação do Povo ao reduzir sua força de cerca de 2,3 milhões de homens em 300.000. Ela reformulou as sete regiões militares, transformando-as em cinco áreas de comando e criando o braço de foguetes e a Força de Apoio Estratégico.
Como parte da repressão de Xi à corrupção, uma investigação sobre possíveis negócios corruptos entre seções de grande orçamento do Exército de Libertação do Povo e corporações militares, supostamente está em andamento.
Um jornal de Hong Kong noticiou alegações de corrupção na antiga Força de Apoio Estratégico. O ex-ministro da Defesa Li Shangfu, que não é visto em público desde agosto de 2023 e foi demitido do posto em outubro daquele ano, é suspeito de estar envolvido em irregularidades relacionadas ao desenvolvimento de equipamentos, segundo relatos da imprensa.
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Presidente chinês Xi Jinping — Foto: Ju Peng/Xinhua via AP
fonte: valor econômico
