Por Valor, com AP — São Paulo
01/08/2023 18h54 · Atualizado
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi indiciado nesta terça-feira (1) por tentar reverter os resultados das eleições de 2020, quando perdeu para Joe Biden.
As acusações são as primeiras criminais de uma extensa investigação federal e foram apresentadas pelo procurador especial Jack Smith, do Tribunal de Washington. O ex-presidente terá que se apresentar à Justiça na quinta-feira (3) na capital americana.
Smith acusou Trump de três conspirações: de fraudar os EUA, de ameaçar os direitos civis de terceiros previstos em lei federal ou na Constituição e de obstruir um processo oficial no Congresso do país.
Segundo o procurador especial, Trump mentiu reiteradamente sobre os resultados das eleições e conspirou com alguns de seus assessores para tentar alterar indevidamente votos em seu favor.
Na acusação, Smith afirma que tentou “explorar o caos” no dia do ataque ao Congresso americano em 6 de janeiro de 2021, com o objetivo de atrasar a certificação dos resultados das eleições que garantiriam a vitória de Joe Biden.
A decisão complica ainda mais o caminho de Trump para a corrida eleitoral de 2024, da qual o ex-presidente aparece como principal nome republicano a enfrentar Biden.
Na acusação, Smith afirmou que Trump sabia que suas alegações de que venceu a eleição eram “falsas”. “Mas o réu as repetiu e a divulgou amplamente de qualquer maneira – para fazer com que suas alegações conscientemente falsas parecessem legítimas, para criar uma atmosfera nacional de desconfiança e para correr a fé pública na administração da eleição”.
Os procuradores federais disseram que Trump estava “determinado a permanecer no poder” e promoveu uma conspiração que visava uma “função fundamental do governo dos EUA: o processo nacional de coletar, contar e certificar os resultados da eleição presidencial”.
Este é o terceiro processo criminal contra Trump, que tenta voltar à Casa Branca em 2024. O ex-presidente foi formalmente indiciado após uma longa investigação federal para subverter a transferência pacífica de poder e se manter no cargo, apesar da derrota para Biden nas urnas.
Em Nova York, promotores estaduais já haviam acusado Trump de falsificar registros comerciais sobre um pagamento a uma atriz pornô para comprar seu silêncio antes das eleições de 2016. O caso começará a ser julgado em março do ano que vem.
Já na Flórida, o Departamento de Justiça acusou Trump de ter mantido ilegalmente documentos confidenciais em sua mansão em Mar-a-Lago e de ocultá-los do governo Biden.
A nova acusação ocorre enquanto Trump lidera com folga as pesquisas para as primárias entre os republicanos. É certo que muitos de seus apoiadores – e até alguns de seus rivais – devem considerar a ação como politicamente motivada. No entanto, o processo trata de uma das ameaças mais sérias à democracia dos EUA.
O caso de Smith foca nos dois meses tubulentos após as eleições de novembro de 2020, período em que Trump se recusou a aceitar a derrota para Biden e espalhou mentiras de que o pleito havia sido roubado.
As alegações falsas resultaram na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores do ex-presidente invadiram a sede do Legislativo, atacaram policiais e interromperam a certificação da vitória de Biden.
No período entre a eleição e a invasão do Congresso, Trump pressionou autoridades eleitorais a reverter o resultado da votação e tentou convencer o então vice-presidente do país, Mike Pence, a suspender o processo de certificação dos votos.
Mesmo encurralado pela Justiça, Trump tem tentado usar os crescentes problemas legais para ampliar seu apoio político, alegando sem evidências que os casos estão sendo conduzidos por promotores democratas que querem prejudicá-lo na campanha de 2024.
Após o anúncio, Steven Cheung, um porta-voz do ex-presidente, acusou os democratas de tentarem interferir nas eleições de 2024 visando o candidato favorito entre os republicanos e comparou o governo Biden a alguns dos regimes mais autoritários da história.
“O presidente Trump sempre seguiu a lei e a Constituição, com conselhos de muitos advogados altamente talentosos”, afirmou Cheung em nota. “Há três anos tínhamos fronteiras fortes, independência energética, zero inflação e uma grande economia. Hoje, somos uma nação em declínio.”
Fonte: Valor Econômico