O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira ter suspendido um ataque militar de larga escala contra o Irã, previsto para esta terça-feira, a pedido de aliados de Washington no Oriente Médio. Ele afirmou, por meio de sua plataforma na internet Truth Social, acreditar que “negociações sérias estavam em andamento” com Teerã.
Trump postou que os líderes do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos pediram aos EUA cancelassem a ação “que estava programada para amanhã [terça-feira]”, mas advertiu ter instruído suas forças para estarem preparadas “para lançar um ataque total e em grande escala contra o Irã, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado”.
O presidente americano acrescentou que “na opinião deles [dos mediadores], como grandes líderes e aliados, um acordo será feito, o qual será muito aceitável para os EUA”. Ele escreveu, em letras maiúsculas, que o acordo incluiria que “o Irã nunca terá armas nucleares”.
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As declarações de Trump surgiram em meio às análises de que um acordo para pôr fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro estava cada vez mais distantes. O preço do barril do petróleo Brent chegou a ser negociado por mais de US$ 112 durante a segunda-feira, mas fechou o dia em US$ 109,69 (0,49% mais alto do que na jornada anterior).
As negociações com o Irã estão paralisadas em razão de divergências sobre o programa nuclear de Teerã e o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico crucial que foi praticamente fechado ao tráfego marítimo.
Até a mensagem de segunda-feira, Trump vinha dando deu sinais contraditórios sobre se pretendia retomar as operações militares de grande escala contra o Irã.
No domingo, ele alertou Teerã de que seus líderes “precisavam se mexer, rápido, ou não sobraria nada deles”. Ele deve se reunir nesta terça-feira com seus principais assessores de segurança nacional para discutir opções para a retomada da guerra, informou o Axios.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram no domingo que um ataque com drone provocou um incêndio perto da usina nuclear de Barakah, acrescentando que o drone entrou em seu espaço aéreo vindo da “direção da fronteira oeste”. O Irã tem atacado os Emirados Árabes Unidos repetidamente desde que o frágil cessar-fogo com os EUA entrou em vigor, em 7 de abril.
A Arábia Saudita também informou no domingo que três drones entraram em seu espaço aéreo vindos do Iraque, país que abriga grupos apoiados pelo Irã.
Segundo fontes familiarizadas com o assunto, Riad realizou ataques contra o Irã após ter sido atacada durante as fases iniciais do conflito. Os Emirados Árabes Unidos também teriam lançado ataques contra a república islâmica.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, informou na segunda-feira que as defesas iranianas foram ativadas na ilha de Qeshm, do outro lado do Estreito de Ormuz, após detectarem a presença de drones. Mas não surgiram novas informações de um eventual ataque.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, confirmou que as posições de Teerã haviam sido “transmitidas ao lado americano por meio do Paquistão”, mas não deu detalhes sobre a proposta.
Uma autoridade graduada iraniana afirmou à Reuters que a nova proposta parecia “semelhante em muitos aspectos” à oferta anterior do Irã, que Trump rejeitou na semana passada chamando-a de “lixo”.
Em meio ao impasse, o chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou que os estoques comerciais globais de petróleo estão se esgotando rapidamente, restando apenas algumas semanas de reservas devido ao prolongamento da guerra e ao fechamento do Estreito de Ormuz à navegação.
Os efeitos da escassez já são sentidos nos EUA de Trump e alimentam sua reprovação (mais informações nesta página). Um estudo divulgado na segunda-feira mostra que os americanos gastaram mais de US$ 40 bilhões extras em combustível desde o início da guerra.
Este montante seria suficiente para reparar a malha de pontes do país ou modernizar seu sistema de controle de tráfego aéreo. A Universidade Brown, que promoveu o estudo, estima que o impacto do conflito nos consumidores, devido ao aumento dos preços da gasolina e do diesel, foi de US$ 316 por domicílio nos EUA até a noite de domingo.
Fonte: Valor Econômico