O JAPÃO é um colosso global de investimentos. Suas instituições financeiras detêm US$ 6 trilhões em títulos e valores mobiliários estrangeiros, um número que dobrou nos últimos 20 anos, à medida que taxas de juros próximas de zero e um iene fraco deprimiram os retornos domésticos. Metade disso está alocada em ativos americanos e outro quinto nas Ilhas Cayman, principalmente como um canal para mais investimentos americanos. O que aconteceria se investidores japoneses, de repente, trouxessem seu dinheiro de volta para casa?
A questão já não é mais hipotética. Em 20 de janeiro, o yield [taxa de rendimento] do título público japonês de 30 anos atingiu 3,8%, o mais alto em sua história de um quarto de século, enquanto o mercado digeria cenários para uma eleição antecipada marcada para 8 de fevereiro, que pode fortalecer um governo inclinado a gastar. Nas últimas semanas, Scott Bessent, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, culpou turbulências nos mercados japoneses por uma alta no custo de endividamento dos Estados Unidos.
Pesquisas sugerem que, se estrangeiros vendessem US$ 140 bilhões a mais em Treasuries [títulos do Tesouro americano] do que vendem em um mês típico, os yields ao longo das maturidades poderiam subir cerca de meio ponto percentual no curto prazo. Para investidores japoneses, isso significaria despejar 12% de seus Treasuries, ou o equivalente a 2% de seus títulos e valores mobiliários estrangeiros. Um cenário assim é improvável fora de um pânico financeiro em larga escala. Mas ele se tornou um pouco menos improvável do que costumava ser.
A razão tem a ver com a mudança na natureza dos investimentos japoneses no exterior. No passado, muitos desses investimentos eram protegidos (hedge) com currency swaps [swaps cambiais], para salvaguardar os retornos em termos de iene no caso de enfraquecimento do dólar. O preço desses swaps reflete a diferença nas taxas de juros de curto prazo entre dois países. Quanto menor a diferença, mais barato o hedge.
Quando as taxas japonesas e americanas estavam ambas perto de zero, investidores japoneses com apetite por hedge, como seguradoras de vida, compravam avidamente ativos estrangeiros. À medida que a inflação acelerou após a pandemia de covid-19 e as taxas de curto prazo dos Estados Unidos saltaram acima das do Japão, os currency swaps ficaram proibitivamente caros e esses investidores perderam o apetite por investimentos no exterior — e por fazer hedge daqueles que mantiveram. Entre 2021 e 2024, as seguradoras de vida do Japão passaram de proteger 60% de suas posições em títulos estrangeiros para apenas 40%.
Mais importante: mesmo enquanto investidores japoneses que faziam hedge reduziram sua exposição externa, aqueles que, em geral, já evitavam hedge desde o começo — como fundos de pensão e investment trusts [fundos de investimento/ trusts de investimento] — estavam aumentando essa exposição. Títulos e ações não japoneses, por exemplo, compõem metade de todos os ativos detidos pelo Government Pension Investment Fund (GPIF), de US$ 1,8 trilhão, acima de 22% em 2012. Os trusts, que se tornaram populares entre as famílias desde que uma lei, em 2014, lhes deu um tratamento tributário favorável, detêm US$ 1,3 trilhão em títulos e valores mobiliários estrangeiros, principalmente ações americanas.
O outro lado de estar sem hedge é uma maior sensibilidade à alta dos juros domésticos — e a um iene mais forte. Se os investidores sem hedge de hoje venderem ativos estrangeiros e migrarem para os domésticos, a moeda se apreciaria. Isso tornaria a repatriação mais atraente, acelerando a venda de títulos e valores mobiliários estrangeiros. Tal espiral não é inevitável; os yields de 30 anos do Japão recuaram do pico na última semana. Mas tampouco é inevitável a demanda insaciável do Japão por ativos estrangeiros. ■
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Fonte: The Economist
Traduzido via ChatGPT
