Apenas cinco navios, incluindo um petroleiro iraniano de derivados de petróleo, passaram pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, mostraram dados de navegação nesta sexta-feira (24), após o Irã apreender dois navios porta-contêineres nesta semana e os Estados Unidos continuarem a bloquear portos iranianos.
O tráfego marítimo que atravessa essa via crucial na entrada do Golfo, durante um cessar-fogo instável entre Washington e Teerã, representa uma fração da média de 140 passagens diárias antes do início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.
“Para a maioria das empresas de navegação, será necessário um cessar-fogo estável e garantias de ambos os lados do conflito de que o Estreito de Ormuz é seguro para trânsito”, disse Jakob Larsen, diretor de segurança da associação marítima BIMCO.
“Enquanto isso, a navegação ficará restrita ao uso de rotas próximas ao Irã e a Omã. Devido à sua natureza limitada, essas rotas não podem acomodar com segurança os volumes normais de tráfego pelo Estreito de Ormuz”, acrescentou Larsen.
O petroleiro de derivados de petróleo com bandeira iraniana Niki, que está sujeito a sanções dos EUA, estava entre os poucos navios que saíram do estreito sem destino informado, segundo análise da Kpler e dados de rastreamento da plataforma MarineTraffic divulgados na sexta-feira.
Não estava claro o que aconteceria caso ele continuasse navegando mais a leste em direção à linha de bloqueio imposta pela Marinha dos EUA. Quase dois meses após os EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã, há poucos sinais de retomada das negociações de paz.
O grupo de transporte de contêineres Hapag-Lloyd informou na sexta-feira que um de seus navios atravessou o estreito, mas não forneceu detalhes sobre as circunstâncias ou o momento.
O superpetroleiro Helga, com bandeira das Comores, chegou a um terminal offshore de carregamento de petróleo no porto de Basra, no sul do Iraque, sendo o segundo navio a alcançar o país desde o fechamento do estreito.
Insegurança persiste
O uso, pelo Irã, de enxames de pequenas embarcações rápidas para apreender dois navios porta-contêineres perto do estreito na quarta-feira aumentou as preocupações entre muitas empresas de navegação e petróleo.
“As apreensões mais recentes deixam claro que, mesmo ‘aberto’, o Estreito de Ormuz não é seguro para marinheiros, navios e cargas”, afirmou Peter Sand, analista-chefe da plataforma de inteligência de frete marítimo e aéreo Xeneta.
Entre 22 de abril e o início de 23 de abril, sete embarcações atravessaram o estreito, sendo seis delas envolvidas em comércio relacionado ao Irã, segundo análise da Lloyd’s List Intelligence.
O fechamento do estreito interrompeu cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) e desencadeou uma crise energética global.
Centenas de navios e 20 mil marinheiros permanecem retidos dentro do Golfo, enquanto seguradoras de risco de guerra e empresas de petróleo aguardam sinais de redução dos riscos para retomar a navegação.
Fonte: Valor Econômico
