Por Gabriel Caldeira, Valor — São Paulo
22/06/2023 12h11 Atualizado há 21 horas
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, voltou a afirmar nesta quinta-feira que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos não terminou.
“O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) crê amplamente que será necessário subir mais os juros este ano e talvez mais duas vezes, se a economia progredir como o esperado”, afirmou Powell durante sabatina no Comitê Bancário do Senado americano.
Os comentários de Powell repetem em grande parte o discurso adotado no dia anterior em sabatina da Câmara dos EUA. O presidente do Fed, no entanto, não havia citado especificamente a possibilidade de mais duas altas, algo que ficou implícito nas projeções atualizadas do Fomc, que sinalizam mais 50 pontos-base em juros até o fim de 2023.
Powell afirmou que o Fomc não vê corte de juros nos EUA em “nenhum período próximo” caso a economia americana evolua da maneira esperada pelo banco central.
“Achamos que estamos a algumas altas de juros do nível que precisamos chegar”, reforçou.
De acordo com Powell, o Fed só vai reduzir os juros quando tiver confiança de que a inflação está retornando à meta de 2% ao ano. E isso, segundo ele, vai depender da evolução dos preços, que têm “consistentemente se mostrado mais persistentes do que o esperado”.
Bancos
De acordo com o presidente do Fed, há discussões do corpo técnico do BC americano acerca de uma proposta que elevaria em 20% a exigência de capital para grandes bancos nos EUA.
Powell, no entanto, fez questão de ressaltar que ainda não há uma proposta fechada que foi apresentada ao Comitê do Fed, repetindo durante sabatina no Senado o que disse ontem a membros da Câmara dos EUA.
Para o presidente do Fed, a quebra do Silicon Valley Bank (SVB) em março mostrou que os EUA precisam “consertar sua regulação sobre a liquidez” do sistema bancário. Powell voltou a afirmar, contudo, que mudanças no ambiente regulatório não devem afetar bancos com ativos que somam menos de US$ 100 bilhões.
Fonte: Valor Econômico
