O ex- Goldman Sachs e Vinland Capital Andre Laport está contratando. Recrutado pela Schonfeld Strategic Advisors, o executivo assumiu as operações para América Latina e está em plena estruturação de um time em São Paulo, incluindo especialistas em pesquisa quantitativa, analistas, gestores de portfólio, de risco e operações. Mas diferentemente do script que se observou no passado, de assets estrangeiras que fincaram a bandeira no país para atrair investidores, a Schonfeld quer apenas o capital humano.
Serão cerca de 50 posições até agosto, diz Laport, ao compartilhar com o Valor o plano de voo para o negócio no país, com 60 já aprovadas, entre gestores e pessoal de tecnologia. Já há 36 profissionais no escritório na Faria Lima, que ficou pequeno, e a equipe deve se mudar logo mais para um andar maior no mesmo prédio, com mais de uma centena de assentos. O escritório local é classificado pela administração como um polo estratégico para a América Latina, e deve ter um porte maior do que unidades satélites em outras regiões.
“Quando entrei na Schonfeld, conversando com o Ryan [Tolkin, CEO e CIO] sobre o que tínhamos no Brasil, minha primeira reação foi: ‘Talento. Temos um conjunto incrível de talentos’. Há escolas fantásticas e concorrentes muito fortes, empresas locais que estão no mercado há muito tempo”, lembra Laport, que ingressou no grupo há quase um ano.
O executivo diz não estar muito preocupado com os ciclos macroeconômicos, se o país está numa fase benigna ou mais desafiadora. “O importante é ter uma visão de longo prazo para o que queremos fazer no Brasil.”
Em meio a juros elevados, enquanto a indústria local de fundos enfrenta desafios e se observa a desidratação de estratégias fora do universo da renda fixa, para a Schonfeld essas questões são secundárias. Nem o referencial nem o funding é em CDI – a base é a SOFR, a principal taxa de juros de referência de curto prazo em dólares. Em momentos complexos para bater o referencial brasileiro em dois dígitos no Brasil, mais favorável se torna a atração de profissionais, avalia Laport, porque eles podem expressar suas ideias sob a ótica do retorno total.
“Para nós, a cada investimento de capital, tendemos a analisar duas métricas: uma é o retorno sobre o capital investido; a outra é a volatilidade. Ou seja, quanto risco estamos assumindo para obter esse retorno”, aponta. “Nosso financiamento não é baseado em CDI. Nosso financiamento é baseado em risco.”
A ideia, ao estabelecer uma presença permanente, é recrutar jovens nas universidades, desenvolvê-los e criar futuros líderes, com o apelo de potencialmente construírem uma carreira internacional. Ele afirma que a cultura colaborativa da empresa também tem atraído brasileiros que estavam trabalhando no exterior e queriam voltar para o país. Primeiro brasileiro a se tornar sócio do Goldman Sachs, alguns profissionais com quem conviveu na década que passou no banco já ocupam o escritório. Já são 12 no time.
A Schonfeld opera globalmente como um grande fundo multigestor, por meio de quatro verticais de investimento: discricionária macro, sistemática, ações fundamentalistas e a de arbitragem, de operações mais táticas, em mercados emergentes. Todos os profissionais no Brasil vão investir e operar em nome desse portfólio global.
De partida, o orçamento de risco é limitado pelo tamanho e liquidez do mercado brasileiro. “O que espero, e que seria um ótimo resultado, é que mais fundos de hedge venham para o Brasil. E isso, naturalmente, aumentará os volumes e, consequentemente, poderemos alocar mais capital”, afirma. “A expectativa é que o Brasil se torne uma parte importante desse mercado, mas hoje existem limitações quanto ao que podemos fazer aqui. O volume é realmente o motor da oportunidade.” A ideia foi chegar primeiro.
Fundada em 1988 por Steven Schonfeld, a firma americana evoluiu de um negócio de trading proprietário, de raízes sistemáticas, para se tornar um hedge fund multiestratégia com presença em cinco continentes. Reúne mais de US$ 19 bilhões, sob os cuidados de 130 gestores de recursos e mais de mil profissionais no conjunto.
O mote da plataforma é dar suporte a uma combinação de estratégias, desde as táticas discricionárias a sistemáticas que buscam aproveitar as oportunidades criadas pela volatilidade, dispersão e eventos do mercado. São fatores que incluem mercados de capitais de ações, arbitragem de fusões e aquisições/orientada a eventos, rebalanceamento de índices, volatilidade de valor relativo, arbitragem e mercados emergentes.
Fonte: Valor Econômico


