Valor — Genebra
30/09/2023 12h10 Atualizado há um dia
A Rússia consegue aumentar seu comércio com mais países, apesar das sanções internacionais, segundo dados mencionados durante um discreto seminário ocorrido nesta semana em Dubai.
Diferentes fontes mostram que o comércio da Rússia com a China aumentou 32% nos primeiros meses deste ano comparado ao mesmo período do ano passado, atingindo US$ 155 bilhões. As trocas com a India triplicaram no primeiro semestre e atingiram US$ 33 bilhões.
Ou seja, as duas nações mais populosas do mundo se beneficiam da oferta de matérias-primas oferecida pela Rússia sob sanções internacionais, e a preços certamente menores do que ocorreria normalmente.
Num seminário sobre pescado, em Dubai, a constatação foi de que a Rússia negocia nesse setor com 80 países em 2023 comparado a 60 países no ano passado, depois de sua invasão militar na Ucrânia.
Dificuldades nos pagamentos das transações permanecem, mas novos meios logísticos foram encontrados pelos russos com seus parceiros.
As importações de pescado cresceram 26% em volume nos oito primeiros meses do ano comparado ao mesmo período de 2022. As vendas da Ilhas Faroé, vinculadas à Dinamarca, dobraram, assim como as de países como Equador e Vietnam, por exemplo.
A Noruega, que respeita o embargo contra os russos, aumentou em 500% as vendas de salmão para a Armênia – isso quando a suspeita é de que quase toda a mercadoria acaba nas prateleiras russas.
No lado das exportações, a Rússia conseguiu vender 4% a mais em volume neste ano. Os principais mercados de destino são a Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África. Os embarques para países ‘não amigos’ continuam caindo, sem surpresa.
Nesta semana, um dos principais oligarcas russos, Oleg Deripaska, declarou que a Rússia conseguiu driblar as sanções ocidentais e admitiu estar surpreso com a resiliência da economia russa.
Deripaska atribuiu essa situação a vínculos da Rússia com o ‘Sul Global’, ou seja, países em desenvolvimento, e graças a enormes investimentos na produção doméstica. Ele previa inicialmente que cerca de 30% da economia russa sofreria colapso por causa das sanções internacionais, mas o percentual tem sido bem menor.
A questão é até quando Vladimir Putin poderá continuar a atual frenesia de despesas públicas. Nos primeiros cinco meses do ano, os gastos governamentais aumentaram 50% em relação mesmo período de 2021, mesmo com queda da renda do petróleo, por exemplo.
Os enormes gastos públicos permitem a fábricas aumentar os salários e contratar mais trabalhadores para atender enorme demanda militar. Usinas de tanques de ataque e também de uniformes trabalham a pleno regime, 24 horas ao dia.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE) projeta agora crescimento de 0,8% da economia russa neste ano, ante projeção anterior de contração de 1,5%. Mas Putin é ainda mais otimista, prometendo crescimento de 2,8%.
Enquanto isso, todos globalmente continuam na verdade perdendo com a guerra deflagrada pelo ocupante do Kremlin.
Fonte: Valor Econômico
