Por Letícia Simionato, Valor — São Paulo
06/06/2023 12h18 Atualizado há 20 horas
O Goldman Sachs acredita que o risco de recessão nos Estados Unidos diminuiu à medida que a crise do teto da dívida desaparece e o setor bancário se estabiliza. Além disso, para a instituição, uma perspectiva de crescimento mais firme provavelmente levará o Federal Reserve (Fed) a aumentar os juros novamente em julho. Como consequência, vários outros bancos centrais de países desenvolvidos serão empurrados em uma direção mais agressiva também.
O banco reduziu a probabilidade de a economia dos EUA entrar em recessão nos próximos 12 meses para 25% – desfazendo a revisão para cima para 35% logo após a quebra do Silicon Valley Bank (SVB). “Há duas razões para esta mudança. Primeiro, o risco de um embate pelo teto da dívida desapareceu. Em segundo lugar, e mais importante, ficamos mais confiantes em nossa estimativa básica de que o estresse bancário tirará apenas modestos 0,4 ponto porcentual do crescimento real do PIB este ano”, justifica.
Com relação à alta de juros, o banco diz agora esperar um aumento adicional de 25 pontos base, provavelmente em julho, o que deixaria a taxa em 5,25% a 5,50%. A instituição justifica que a liderança do Fed parece bastante disposta a sinalizar aumentos adicionais. “Posteriormente, vemos uma longa pausa de cerca de um ano, seguida de cortes muito graduais”, projeto o banco.
O Goldman destaca ainda que sua perspectiva de política monetária em outros países de língua inglesa também é bastante agressiva. “Recentemente, adicionamos um terceiro aumento de 25 pontos-base à nossa perspectiva do Banco da Inglaterra (BoE) e agora vemos uma taxa final de 5,25% no Reino Unido. Acabamos de adicionar dois aumentos de 25 pontos-base no Canadá e agora vemos uma taxa de pico de 5% lá (embora pensemos que as chances favoreçam uma pausa na reunião do BoC desta semana)”, pontua o banco, que diz que o tema comum é que, embora a maior parte do trabalho pesado tenha sido feito, muitos bancos centrais estão descobrindo que ainda têm um pouco mais de trabalho a fazer antes que a política monetária esteja em um ambiente adequadamente restritivo.
Nos mercados de petróleo, que recentemente viram um rali com o corte de produção da Arábia Saudita, o banco diz que estrategistas esperam que grande parte da queda de 35% nos preços do Brent no ano passado seja revertida “à medida que a expansão da oferta de petróleo – que eles calcular representar mais de 80% da queda de preço – desacelere e a demanda por petróleo se mantenha melhor do que o amplamente previsto”.
Fonte: Valor Econômico