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Mineração de terras raras — Foto: Divulgação
Rebeldes armados estão tomando o controle de áreas-chave de mineração de terras raras em Mianmar, ações que podem interromper as cadeias de suprimentos para veículos elétricos e outros produtos que passam pela China.
O Exército de Independência de Kachin (KIA) havia conquistado o controle de Chipwi e Tsawlaw, ambos centros de mineração críticos, do Batalhão da Força de Guarda de Fronteira do regime militar, no início de novembro.
O KIA também ocupou Pangwa logo após autoridades de seu braço político se encontrarem com Deng Xijun, enviado especial da China para assuntos asiáticos, em meados de outubro. Na ocasião, Deng supostamente teria pedido ao grupo que cessasse sua resistência contra o regime militar de Mianmar.
A China, em resposta, bloqueou remessas que passavam por áreas controladas pelo KIA. O exército rebelde disse que lançou uma equipe para gerenciar as operações de mineração, embora seus planos futuros sejam desconhecidos.
Mianmar foi responsável por 11% da produção mundial de terras raras em 2023, atrás apenas da China com 68% e dos Estados Unidos com 12%, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Reservas de disprósio e térbio em particular, que são usados em motores de veículos elétricos, estão concentradas em Mianmar e na China.
Mas Mianmar carece de capacidade de refino. A maioria de suas terras raras é vendida para empresas na China, que são capazes de processar grandes quantidades de materiais para exportação para países terceiros.
A exploração de terras raras acelerou rapidamente em Mianmar no cenário de turbulência política. Suas exportações de óxidos pesados de terras raras para a China saltaram de 19.500 toneladas em 2021 para 41.700 toneladas em 2023, de acordo com a organização não governamental internacional Global Witness.
Com Mianmar responsável por 57% do fornecimento global de disprósio e térbio em 2023, interrupções prolongadas reduzirão o fornecimento para fabricantes de ímãs, disse a empresa de pesquisa canadense Adamas Intelligence em um relatório de outubro.
Mianmar também ocupa o segundo lugar no mundo na produção de minério de estanho. Os preços internacionais do estanho, usado para soldar dispositivos eletrônicos, aumentaram após as operações de mineração terem sido suspensas no estado de Wa, em Mianmar, em agosto de 2023.
Uma ofensiva antimilitar que começou em outubro de 2023 no estado de Shan desencadeou um aumento na resistência armada em Mianmar, com muitos grupos rebeldes mirando minas de níquel e cobre que ajudam a financiar o regime militar. O Exército de Libertação Nacional Ta’ang, baseado no estado de Shan, ocupou a cidade de mineração de rubis de Mogok, perto de Mandalay.
Fonte: Valor Econômico