Por Sérgio Tauhata, Valor — São Paulo
23/08/2023 12h53 Atualizado há um dia
A Fitch Ratings espera uma desaceleração de ações negativas de rating para empresas brasileiras no segundo semestre de 2023. “O ambiente de negócios no Brasil pode apresentar gradual recuperação e redução do risco de refinanciamento devido ao retorno seletivo dos mercados de dívidas local e internacional, e às trajetórias favoráveis da inflação”, afirma Natália Brandão, analista sênior de finanças corporativas.
A agência rebaixou 25 empresas em 2023, o que ultrapassa a quantidade no acumulado de 2021 e 2022. “A recuperação dos indicadores econômicos e a velocidade e a magnitude dos cortes dos juros são fundamentais para a recuperação das métricas de crédito de diversos emissores”, avalia Brandão.
De acordo com a agência de classificação de risco, a expectativa de contínuo avanço da oferta de crédito e melhora gradual na atividade econômica devem aliviar as pressões nos ratings e permitir mais equilíbrio entre rebaixamentos e elevações.
O ambiente de negócios ainda é fraco, mas tem melhorado gradualmente, ponderou a analista. Conforme a agência, o progresso na reforma fiscal, o início do ciclo de redução dos juros e a acentuada queda da inflação podem propiciar melhores condições de negócios nos próximos trimestres.
O ambiente previsto pode favorecer a demanda e permitir gradual recomposição das margens e da alavancagem das companhias, principalmente em 2024. As emissões domésticas corporativas se retraíram em 42% nos primeiros sete meses de 2023, mas indicaram recuperação em junho e julho.
As emissões de bonds [títulos de dívida denominados em dólar] totalizaram US$ 5,9 bilhões no acumulado de 2023, o que já ultrapassa o montante levantado em 2022. O volume de bonds de empresas brasileiras com vencimento até o final de 2024 é baixo e concentrado em emissores com forte qualidade de crédito, acrescenta a Fitch.
Os vencimentos de dívidas das empresas da carteira da Fitch até o fim de 2024 são relevantes, mas a maior parte foi emitida por companhias nas categorias “AAA(bra)” ou “AA(bra)”. As maiores preocupações da agência permanecem voltadas às companhias classificadas em “A(bra)” ou abaixo, que possuem maior desafio para administrar os vencimentos de dívida, especialmente aquelas com exposição ao mercado de capitais.
Fonte: Valor Econômico
