25/04/2024 05h02 Atualizado há 4 horas
A RBR Asset, gestora com mais de R$ 9 bilhões sob gestão, está entrando no segmento de crédito imobiliário nos Estados Unidos em um fundo que tem o banco Inter como investidor-âncora. Voltado a investidores profissionais, o RBR Crédito Offshore faz operações de “empréstimo ponte” e financiamento para construção de empreendimentos imobiliários, de projetos residenciais a galpões logísticos na costa leste americana. O novo fundo tem US$ 25 milhões e está em captação sobretudo entre famílias ultrarricas para chegar a US$ 50 milhões até junho.
“É um mercado com grande potencial porque juros e inflação altos abrem oportunidades”, avalia Ricardo Almendra, CEO e sócio-fundador da gestora, que completa em 2024 dez anos de atividade. “Nos últimos anos, diminuiu o dinheiro disponível no mercado americano. Tivemos, portanto, mais força e poder de compra.”
No início deste mês, a gestora anunciou o encerramento de dois fundos de outra classe – os REITs, ou Real Estate Investment Trusts, que correspondem aos fundos de investimento imobiliário brasileiros – após sucessivos saques, que reduziram o patrimônio total de R$ 195 milhões em dezembro de 2021 para R$ 44 milhões.
Almendra conta que a gestora começou sua estratégia nos EUA há seis anos, de olho na tendência de diversificação internacional do investidor brasileiro, que, segundo ele, vem acelerando. O novo fundo tem meta de rentabilidade de 10% a 12% ao ano em dólares e já investiu em cinco operações nos setores residencial, industrial e comercial em empreendimentos localizados em Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia e Flórida.
Em outra vertente de atuação, a RBR vai começar em junho a captar recursos para o quarto fundo que investe em empreendimentos multifamílias, estratégia na qual a gestora compra prédios antigos de dois a três quartos em Nova York, faz uma reforma rápida, que geralmente dura até quatro meses, e aluga, com preferência para famílias sem filhos. Quando o empreendimento atinge rendimento entre 7% e 7,5% ao ano em cima do investimento feito, a gestora coloca à venda. A meta de retorno é 17% ao ano.
Com os três fundos em andamento, a RBR já investiu mais de US$ 350 milhões em 54 propriedades. “A vacância em Nova York é de apenas 2%. Nos bairros onde atuamos, é próxima a zero”, diz Ricardo Costa, sócio responsável pela área de Desenvolvimento de Novos Negócios da RBR. “O empreendimentos multifamílias estão, junto com o galpão logístico, entre os segmentos que mais cresceram no pós-pandemia.”
Ele explica que o grande investidor institucional americano não atua nesse nicho, geralmente ocupado por pessoas físicas que gostam de investir no mercado imobiliário. “Onde os cheques ficam abaixo de US$ 30 milhões tem menos gente para atuar. Entramos ocupando o espaço do institucional neste mercado. Em cinco anos conseguimos nos estabelecer entre os grandes.” O passo natural seguinte, afirma, era entrar em crédito, principal estratégia no Brasil. Daí o lançamento do RBR Crédito Offshore.
Além disso, a RBR começa a operar em 60 dias, com US$ 50 milhões formados com capital proprietário e de dois grandes “single family offices” americanos, um fundo de “equity preferencial”, instrumento que dá ao credor o direito de converter a dívida em uma propriedade ou participação societária na empresa e que do ponto de vista fiscal é mais interessante para os investidores dos Estados Unidos. “Quando a RBR foi para os Estados Unidos, há seis anos, a ideia era atender o mundo todo, inclusive brasileiros. Agora, estamos indo nessa direção, com os primeiros americanos como âncora”, diz Almendra. O objetivo de retorno é 15% ao ano.
De acordo com o CEO, os investimentos alternativos se fortaleceram nesse primeiro trimestre tanto em ativos imobiliários quanto em infraestrutura, e a asset vai concluir o primeiro semestre com mais de R$ 1 bilhão captados, o que vai elevar o total sob gestão a R$ 10 bilhões. Até dezembro, deve ultrapassar R$ 12 bilhões. A RBR está com duas ofertas em andamento, uma de um fundo multiestratégia e outra de um FII que investe em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Em maio, serão mais duas abertas para o público em geral, de um fundo de escritórios e outro de renda urbana.
Fonte: Valor Econômico

