Quando o ano começou, a expectativa de muitos investidores era a de que as taxas mais elevadas trouxessem uma recessão que prejudicaria ainda mais as ações depois do forte declínio de 2022. Em vez disso, a economia dos EUA tem se mostrado resiliente, mesmo com o avanço do Fed na sua luta contra a inflação.
O S&P 500 subiu quase 19% no ano até o momento. Embora os investidores de forma geral prevejam que o banco central aumentará os juros em 0,25 ponto percentual em sua reunião nesta semana, muitos esperam sinais de que os responsáveis pela política monetária estão mais confiantes de que a inflação continuará a cair, o que eliminará a necessidade de que o Fed eleve muito mais os custos dos empréstimos e dará sustentação à tese que ajudou a estimular as ações nas últimas semanas.
“Grande parte do mercado ainda é guiada pelo macro e a inflação ainda está no comando. O que o Fed fizer e anunciar será crítico”, disse Cliff Corso, diretor de investimentos da Advisors Asset Management. As expectativas de um cenário macroeconômico benigno e do fim do aperto do Fed levaram alguns analistas a rever suas avaliações sobre o quanto as ações subirão este ano. Na terça-feira, Jonathan Golub, do Credit Suisse, elevou sua meta sobre o S&P 500 para o fim do ano de 4.050 para 4.700 pontos, com o argumento de que a perspectiva econômica está mais forte e de que há expectativa de grande ganho com tecnologia e serviço de comunicação.
Tom Lee, da Fundstrat Global Advisors, elevou sua meta de fim de ano para 4.825 pontos no início deste mês, enquanto Ed Yardeni, da Yardeni Research, acredita que o S&P 500 chegará a 5.400 pontos nos próximos 18 meses. Enquanto isso, uma medida acompanhada pela Associação Nacional de Gestores de Investimentos Ativos mostrou que a exposição às ações dos responsáveis por escolher no que investir estão em seu nível mais alto desde novembro de 2021, meses antes de o Fed iniciar seu ciclo de altas das taxas de juros.
“Investidores pessimistas tiveram de capitular”, disse Liz Ann Sonders, estrategista-chefe de investimentos da Charles Schwab. “Estamos vendo um pano de fundo, em termos de fundamentos, de inflação mais baixa, resiliência dos dados econômicos, maior grau de confiança do consumidor e um dólar em queda, que é uma receita bastante boa de ganhos.”
Eric Freedman, diretor-chefe de investimentos do U.S. Bank Wealth Management, aumentou suas posições em ações nos últimos meses e está ficando mais otimista com relação ao setor de tecnologia, ao prever que os lucros das empresas vão melhorar diante da continuidade da resiliência da economia. “Os consumidores têm sido ajudados por um mercado de trabalho apertado e por alguns sólidos aumentos reais de salários e, ao mesmo tempo, estamos vendo algum progresso real no front da inflação”, disse ele.
Considere-se, também, que as previsões de uma recessão – vistas quase como uma conclusão inescapável no começo do ano – estão ficando menos desesperadoras. O Goldman Sachs cortou na semana passada sua probabilidade de uma recessão se instaurar nos EUA nos próximos 12 meses para 20%, a partir de uma projeção anterior de 25%, afirmando que o abrandamento da inflação poderá abrir o caminho para que o Fed reduza as taxas de juros sem precipitar uma recessão.
No mês passado, o banco elevou para 4.500 pontos sua meta de fim de ano para o índice S&P 500, em relação aos 4 mil pontos anteriores. Mas muitos estrategistas continuam pessimistas, preocupados com fatores que vão desde quebras de expectativas durante a temporada de lucros em curso até surpresas com a durabilidade da inflação. Sunita Thomas, gestora-sênior de carteira da Northern Trust, acha que a inflação se mostrará mais obstinada do que o previsto, e cortou a exposição a ações nos últimos meses. “Temos dito aos clientes que o mercado teve um ciclo muito bom por alguns muito bons motivos, mas que este é um período bom para reequilibrar.”
A alta dos “valuations” tem sido mais uma preocupação, já que o S&P 500 está sendo negociado agora a 20,8 vezes os lucros futuros, a partir das cerca de 16 vezes registradas no começo do ano.
No entanto, Christopher Tsai, diretor de investimentos da Tsai Capital, não está preocupado com comprar em um mercado supervalorizado. Ele acrescentou oito empresas à sua carteira neste ano, inclusive a provedora de índices MSCI e a empresa de saúde animal Zoetis, que, segundo crê, têm sido negligenciadas no avanço do mercado.
Fonte: Valor Econômico
