A mudança veio com a divulgação da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025
A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, divulgada na última quinta-feira, introduziu uma mudança importante na forma de interpretar os níveis de pressão. O documento passou a classificar como pré-hipertensão os valores entre 12 por 13,9 faixa que até então era considerada normal. A ideia é identificar precocemente pessoas em risco e estimular intervenções preventivas.
O documento foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).
A Cibele Isaac Saad Rodrigues, coordenadora da diretriz e diretora do Departamento de Hipertensão Arterial da SBN, esclarece que a interpretação de 12 por 8 como referência de pré-hipertensão está incorreta, pois essa métrica vem de “diretrizes europeias”, enquanto a diretriz brasileira segue determinação da American Heart Association (Associação Americana do Coração, em tradução livre).
O diagnóstico de hipertensão, por sua vez, segue o mesmo critério das diretrizes anteriores: pressão maior ou igual a 14 por 9, aferida corretamente em pelo menos duas ocasiões diferentes.
Porém, Rodrigues alerta que se “o paciente já tem pressão maior ou igual a 13 por 8 deve passar por avaliação clínica e exames para identificar fatores de risco para doença cardiovascular e lesões nos órgãos alvos da hipertensão, que é o coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos”.
Pré-hipertensão e hipertensão
Na fase de pré-hipertensão, não se indica tratamento com medicamentos, mas sim intervenções de estilo de vida: prática regular de atividade física, redução do sal, manejo do estresse e perda de peso quando necessário.
“Quem está na faixa de pré-hipertensão, geralmente não sente nada. A própria hipertensão, na maioria das vezes, é silenciosa. Mas o perigo de não dar atenção a esses níveis é que eles podem rapidamente evoluir para pressão alta”, alerta Rodrigues.
De acordo com a diretriz, o tratamento medicamentoso só deve começar quando chega na fase de hipertensão. Nesse ponto, além de seguir a prescrição médica, é fundamental manter hábitos saudáveis.
Nelson Dinamarco, presidente da SBH e um dos autores da diretriz, reforça que o paciente precisa se engajar no próprio cuidado. “O paciente deve realizar atividade física orientada, reduzir a quantidade de sal consumida e usar corretamente a medicação, caso tenha sido prescrita”, declara.
Dinamarco ressalta ainda que o diagnóstico de hipertensão não pode ser feito com base em uma única aferição isolada. “A hipertensão é definida como várias medidas elevadas em intervalos de tempo”, explica.
Metas mais rígidas
Outra mudança importante é que a diretriz passou a recomendar uma meta única de controle para as pessoas que tem propensão a ter pressão alta: abaixo de 13 por 8 (130/80 mmHg). Nesse grupo, se enquadram, por exemplo pessoas que tem “doença renal, cardíaca, insuficiência cardíaca, obesidade, diabetes”, pontua Rodrigues.
A exceção são idosos frágeis ou pacientes que não toleram pressões mais baixas, que devem ser mantidos no nível máximo tolerado sem perda de qualidade de vida.
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max
Fonte: Valor Econômico