Ideia é evitar os problemas das canetas, como a necessidade de refrigeração e a resistência de alguns pacientes
As farmacêuticas Eli Lilly e Novo Nordisk, que vêm disputando nos últimos anos o mercado de canetas emagrecedoras à base de análogos de hormônios intestinais, estão avançando em pesquisas para o lançamento de medicamentos na forma de comprimidos.
Nesta semana, as companhias divulgaram dados de estudos clínicos com o desempenho da nova geração de análogos do GLP-1. Esses lançamentos devem abrir uma nova avenida de crescimento para as companhias, considerando que as canetas necessitam de refrigeração e há uma parcela dos pacientes que é resistente às injeções semanais.
A Novo Nordisk aponta que a versão em comprimido do Wegovy levou a uma perda de peso de mais de 20% do peso corporal em um terço dos participantes do estudo. Após 64 semanas de tratamento, a média de perda de peso dos participantes foi pouco abaixo disso, de 16,6 %.
Além do emagrecimento, os estudos indicam que há melhoria nos fatores de risco cardiovascular com o medicamento à base de semaglutida. Os estudos foram realizados em pacientes obesos ou com sobrepeso e alguma comorbidade associada, mas sem diabetes.
A Novo Nordisk afirma que já iniciou a produção da semaglutida oral na dosagem de 25 miligramas nos Estados Unidos. Segundo a companhia, esse é o primeiro medicamento oral com GLP-1 submetido à agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês). A expectativa da companhia é que o Wegovy oral chegue ao Brasil em 2026.
Já a Eli Lilly vem estudando a orforgliprona e afirma que a nova molécula teve desempenho superior à semaglutida no caso de pacientes com diabetes tipo 2. De acordo com a Eli Lilly, os estudos comparativos indicam que os níveis de hemoglobina glicada no sangue dos pacientes caíram 2,2% com a nova molécula, enquanto a redução com a semaglutida foi de 1,4%.
Em relação à perda de peso, as doses mais altas dos medicamentos levaram a uma redução de 9,2% do peso corporal, no caso da orforgliprona de 12 miligramas, e de 5,3% no caso da semaglutida de 14 miligramas. Os estudos da Lilly foram executados em um período de 52 semanas.
Os resultados da nova molécula da Eli Lilly, divulgados no último dia 17, são da fase três de estudos clínicos randomizados e abertos — ou seja, todos os participantes e as equipes médicas sabiam qual medicamento estava sendo administrado. O vice-presidente executivo e presidente de saúdecardiometabólica da Lilly, Kenneth Custer, afirma que esse é o padrão ouro para realização dos testes.
Embora as companhias estejam ampliando os investimentos para a nova geração de emagrecedores orais, a categoria não é exatamente uma novidade no mercado. A própria Novo Nordisk tem no seu portfólio o Rybelsus para tratamento de diabetes, também a partir da semaglutida, lançado posteriormente ao Ozempic. Atualmente, a versão com três miligramas é comercializada no Brasil.
Fonte: Valor Econômico