25/10/2022 05h01 Atualizado há 3 horas
O custo de vida das famílias na região metropolitana de São Paulo caiu pelo terceiro mês seguido, de acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Em setembro, Custo de Vida por Classe Social (CVCS), calculado pela entidade, teve deflação de 0,2% – após reucar 0,18% em julho e 0,21% em agosto. Em 12 meses o CVCS acumula alta de 8%. No ano, o indicador soma 4,62%.
Para a FecomercioSP, o resultado é pontual, mas expressa uma tendência de arrefecimento nos preços. A entidade considera positiva a queda nos grupos que impactam com mais força o orçamento das famílias que enfrentam dificuldades financeiras – sobretudo no de alimentos. Para os analistas da FecomercioSP, a queda dos preços ajuda parte dessa população a ter mais fôlego para pagar dívidas vencidas e poder para, mais tarde, retomar o padrão de consumo.
O resultado foi obtido graças, principalmente, ao preço dos combustíveis. Assim como em agosto, o grupo de transportes registrou queda. Em setembro, a baixa foi de 2,26%, puxada sobre tudo pelas quedas de gasolina (-8,3%), etanol (-12,1%) e óleo diesel (-4,2%). Segundo a entidade, o grupo de transportes caiu mais para as faixas mais baixas de renda. Em setembro, a variação foi negativa em 3,07% para a classe E e em 1,42% para a classe A.
Um dos grupos que mais subiram ao longo da pandemia de covid-19, o de alimentos e bebidas, permaneceu estável (ligeira queda de 0,04%), pressionando menos o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres. Ao contrário, aponta a Fecomercio, muitos itens estão ficando mais baratos, como o feijão (-4,6%) e o óleo de soja (-6%).
Um aumento relevante observado na pesquisa de setembro veio do grupo de habitação (0,87%), influenciando pelo reajuste para cima dos produtos de consumo doméstico, como o botijão de gás (2%). Isso se vê, inclusive, nos preços dos serviços – que, da mesma forma, ficaram mais altos. Neste caso, a variação de 1,5% da energia elétrica deu o tom da subida.
O grupo que mais cresceu, porém, foi o de vestuário (1,76%). Considerando que, no acumulado de 12 meses, este também é o conjunto de itens mais inflacionado (18,2%), percebe-se o impacto que o repasse dos custos de malhas e tecidos tem causado aos consumidores.
O custo de vida subiu de forma parecida entre todas as classes sociais, nos últimos 12 meses, de acordo com a FecomercioSP. Para a classe E, por exemplo, a variação foi de 8,55%, enquanto para a classe A foi de 8,57%.
Enquanto os preços do varejo caíram 0,91%, em setembro, os dos serviços registraram nova alta (0,55%), reforçando uma tendência já apontada no mês anterior. No caso do varejo, metade dos grupos de produtos registrou queda, com destaque para transportes (-4,36%) e alimentação e bebidas (0,27%), A alta acumulada em 2022 ficou em 5,2%.
No caso do Índice de Preços dos Serviços (IPS), apenas um dos oito grupos sofreu queda no mês, o de comunicação (-1,5%). Diferentemente dos dados do varejo, aqui o que colaborou para a alta do indicador foi, justamente, o grupo de transportes (1,47%), muito por causa dos reajustes nas passagens aéreas (9%), além das tarifas de ônibus interestaduais. Em 2022, a alta acumulada do IPS é de 3,93%, enquanto a dos 12 últimos meses é de 6,37%.
Fonte; Valor Econômico

