Por Alessandra Saraiva — Do Rio
20/09/2022 05h01 Atualizado há 5 horas
A economia brasileira cresceu 0,6% em julho ante mês anterior, após subir 0,9% em junho, na leitura do Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV), veiculado ontem pela fundação e que mensura cadência de atividade econômica, mensalmente.
Na comparação com julho do ano passado, a economia subiu 3,1% em julho desse ano, menor taxa desde março de 2022 (3%). No trimestre finalizado em julho, ante mesmo trimestre em ano anterior, o Monitor do PIB cresce 3,3%, levemente acima do observado até junho (3,2%), nessa comparação.
Para Claudio Considera, coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da fundação (FGV Ibre), a elevação menos intensa na margem pode indicar que maior ritmo em serviços, grande impulsionador da economia no primeiro semestre devido à demanda reprimida – ocasionada por menor acesso em período mais agudo da pandemia – pode estar perdendo fôlego.
“O setor de serviços ainda tem espaço para crescer, mas se reduziu esse espaço”, resumiu. Com perspectiva de cadência mais fraca em serviços, o técnico não descartou novas taxas positivas em menor intensidade, no indicador da FGV. Isso eleva perspectiva de o PIB em 2022 se encerrar com alta em torno de 2%, ante ano passado. Em 2021, a economia cresceu 4,6%.
Ao comentar a evolução do Monitor do PIB na passagem de junho para julho, o economista afirmou que, nos últimos meses, o que tem sustentado a economia foram bons desempenhos em atividades presenciais, como serviços, transporte e comércio. Com avanço da vacinação contra covid-19, e menor ritmo de mortes e de casos da doença, as pessoas estariam voltando mais às atividades fora de casa.
Mas esse fenômeno de impacto favorável de demanda reprimida, em serviços não tem condições de prosseguir indefinidamente, em forte intensidade. “Eu acho que sim está perdendo força.”
Isso é perceptível nos resultados do Monitor do PIB. O segmento “Outros Serviços” dentro do indicador, que representa bares e restaurantes, por exemplo, mostrou alta de 0,3% em julho ante junho, no indicador. É o mais fraco resultado desde janeiro de 2022 (-1,6%). Na comparação com julho de 2021, a atividade subiu 10,2%, também o mais fraco desde janeiro de 2022 (10,1%).
O consumo das famílias, por sua vez, cresceu 0,5% em julho ante mês anterior, levemente acima de junho (0,4%). Mas, na comparação com julho do ano passado, a alta foi de 3,6%, a mais fraca também desde janeiro de 2022 (-0,2%), nessa comparação.
Outro aspecto preocupante mencionado pelo especialista é a ausência de reação de investimentos, na economia, pela leitura do Monitor do PIB.
No indicador, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 0,8% em julho ante junho, também pior resultado desde janeiro deste ano (-5,7%). Na comparação com julho do ano passado, o recuo nos investimentos foi de 0,7%, queda mais intensa desde abril desse ano (-3%). “Os investimentos estão operando muito em baixa. Há falta de confiança do empresário em investir, continua a ter muita incerteza,” disse. “E investimentos têm que vir da iniciativa privada”, notou.
Ele frisou que, para o empresário ter mais confiança em investimentos, é preciso mais previsibilidade nos rumos da economia, algo que não se percebe, nos próximos meses. “A grande esperança era acelerar ritmo de concessões”, disse, citando saneamento como exemplo. “Mas isso não se concretizou”, completou.
Assim, ao ser questionado sobre sustentabilidade de maior ritmo de crescimento econômico no longo prazo, o especialista da FGV foi cauteloso. Na prática, notou Considera, com menor força em atividade de serviços e sem retomada firme de investimentos, não há como garantir crescimento sustentável em prazo mais prolongado, admitiu ele. “Alguns apostam em crescimento neste ano em 3% [do PIB]. Creio que estamos mais próximos de ter uma alta em torno de 2%”, afirmou o economista.
Fonte: Valor Econômico
