Os maiores players de private equity, que compram participações em empresas, estão impulsionando uma retomada na captação de recursos que deixou os menores para trás, com o mercado dominado por uma dinâmica em que “o vencedor leva tudo”.
A captação global de recursos ultrapassou US$ 260 bilhões no primeiro semestre de 2026, colocando o setor de private equity a caminho para captar 17% a mais neste ano do que no ano passado, segundo a PitchBook. Os fundos captaram US$ 447 bilhões ao longo de 2025.
No entanto, se a tendência se mantiver pelo restante do ano, o volume captado será distribuído entre o menor número de fundos em mais de uma década.
Cerca de 310 veículos de investimento encerraram suas captações nos primeiros seis meses do ano, indicando que o número total anual deve cair cerca de um quarto em relação aos 830 registrados no ano passado.
Os dados oferecem um dos sinais mais claros até o momento de que o capital está fluindo para as empresas de “buyout” (aquisições) mais consolidadas, enquanto algumas das operadoras menores, que surgiram durante os anos de expansão do setor, enfrentam dificuldades para captar novos recursos.
A captação de recursos em private equity caiu tanto em 2024 quanto em 2025, depois que o financiamento mais caro afetou os “valuations” (avaliações de mercado) e levou as empresas a adiarem os desinvestimentos. A incapacidade de realizar saídas significou que as empresas devolveram menos caixa aos seus investidores, que, por sua vez, tiveram menos recursos para reinvestir em novos fundos.
“Os investidores ainda receberam menos capital de volta do que as médias históricas”, disse Ed Gander, chefe da área de fundos privados em Londres do escritório de advocacia Sidley Austin. “Como não houve tantas distribuições, há menos interesse em considerar novos gestores do que havia quatro ou cinco anos atrás.”
Fundos de private equity que buscam captar mais de US$ 1 bilhão concentraram mais de 80% de todo o capital captado neste ano, a maior participação registrada em mais de uma década de dados.
É possível que surjam mais ‘empresas zumbis’, que gerem investimentos existentes, mas não conseguem captar novos fundos
Desde o início de janeiro, a KKR concluiu a captação de US$ 23 bilhões para seu principal fundo de buyout na América do Norte, e a EQT fechou o maior veículo de private equity da história da região da Ásia-Pacífico, com cerca de US$ 16 bilhões. A Advent está prestes a captar US$ 26 bilhões para o seu fundo principal, de acordo com uma pessoa a par do assunto.
Executivos de private equity alertaram que, após o fim de um período em que o dinheiro barato facilitava a captação de novos recursos, é provável que surja um número crescente de “empresas zumbis” – firmas que operam apenas para gerir investimentos existentes, mas não conseguem captar novos fundos.
Se o número de fechamentos de fundos continuar a crescer no mesmo ritmo até dezembro, o total global para 2026 chegará a apenas 620. Esse número contrasta com a marca de mais de 1.000 fechamentos anuais registrada ao longo dos oito anos encerrados em 2024, período que incluiu dois anos com cerca de 1.800 fechamentos.
Per Franzén, CEO da EQT – empresa de buyout listada na bolsa de Estocolmo -, previu no ano passado que 80% de todos os grupos de capital privado poderiam se tornar empresas zumbis na próxima década.
Consultores insistem que ainda haverá espaço para algumas empresas menores, mesmo em um mercado mais desafiador.
“Os investidores continuam reservando alocações para gestores especializados com conhecimento setorial diferenciado”, afirmou Tarun Patel, do escritório de advocacia Mayer Brown. “O mercado simplesmente se tornou mais criterioso.”
Fonte: Valor Econômico
