O modelo de crescimento do governo do PT, com “fiscal turbinado”, pode perdurar alguns anos, segundo Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset. Em evento promovido pelo Banco J. Safra, ele comentou que, da primeira vez, o modelo durou os governos Lula 1 e 2 e um pedaço do governo Dilma 1. “Da primeira vez esse modelo só explodiu depois de dez anos. E agora nós estamos apenas no segundo ano deste processo”, afirmou.
Rodrigo Azevedo, CEO da Ibiuna, afirmou no mesmo painel que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) demorou um ano a mais para começar a reduzir juros, do que se esperava em meados do ano passado, e nesse meio tempo foi “caindo a ficha” do mercado de que, ainda que o arcabouço fiscal seja cumprido, a dívida do Brasil cresce quase 3 pontos percentuais ao ano pelos próximos anos.
“A dívida vai subir de 15 a 18 pontos percentuais em seis anos, vai chegar à faixa de 86% a 90% do PIB, que é disparado o mais alto entre os emergentes.”
“O que deu errado nos últimos anos? O Fed atrasou o ciclo e está caindo a ficha das pessoas da qualidade da política fiscal que o governo está implementando. Está caindo a ficha de que o Fed não vai trazer a inflação para baixo no Brasil, não consegue resolver nossos problemas, e o juro vai ser bem mais alto.”
Azevedo acredita que a Selic deve subir acima de 12% e ficar neste nível por um bom tempo. “O mercado está errado em achar que o juro cai antes do fim de 2026.”
Para James Oliveira, diretor de investimentos da Vinland, o arcabouço fiscal pode até ser cumprido, mas com despesas que ficam de fora da regra, “com contabilidade criativa, com dívida que vai continuar subindo, então o governo está se enganando, não adianta nada.”
Os gestores comentaram ainda sobre a eleição nos EUA. Eles acreditam que o resultado deve ser mais apertado do que as pesquisas indicam, mas que, por enquanto, o cenário mais provável é que Kamala Harris vença, mas os republicanos devem ficar com o controle do Congresso.
Para Stuhlberger, uma diferença é que as medidas propostas por Harris dependem mais do Congresso, enquanto Donald Trump poderia fazer muita coisa sozinho, incluindo o aumento de tarifas de importação. “Se Trump subir as tarifas para 10%, isso gera um ‘drag’ de 1% no PIB global; então teria um efeito baixista em juros, especialmente na Europa. Depois poderia ter um ‘pickup’ na inflação, mas os mercados vão ignorar e querer subir [em um primeiro momento] porque acham que o Trump vai reduzir impostos, e é bom para a bolsa.”
No mesmo evento, gestores viram um efeito positivo vindo do forte aumento do número de casas focadas em situações especiais, conhecidas também como “special sits”. Para eles, esse mercado possibilita o desenvolvimento de um mercado secundário de ativos Atualmente, há quase 50 gestoras na mesma estratégia com R$ 15 bilhões de capital, disse Maurício Hazzan, diretor de investimentos do Safra. No ano passado, os recursos das casas somavam R$ 10 bilhões.
“O efeito positivo de um excesso de gestoras é a melhora do secundário, o que permite mais saídas”, explicou Alexandre Cruz, da Jive. Do lado negativo, é esperado que “o preço suba quando há essa corrida imediata” por ativos, afirmou.
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Fonte: Valor Econômico