Com os juros de médio prazo como carro-chefe dos fundos Janeiro no momento, o gestor Bruno Serra Fernandes, da Itaú Asset Management, acredita em uma redução dos prêmios de risco de forma independente do resultado das eleições presidenciais. E a convicção mora, justamente, na sensação de que algum ajuste nas contas públicas será feito a partir de 2027.
Na visão do ex-diretor do Banco Central (BC), há dois cenários na mesa atualmente: um que aponta para uma mudança de governo que resulte em alterações significativa na política econômica, com 40% de chance de se concretizar; e a reeleição do atual governo, com 60%.
As declarações foram dadas durante painel organizado pela Itaú Asset nesta quinta-feira, no primeiro dia da Expert XP.
Serra, inclusive, foi bastante questionado no evento sobre o aspecto fiscal, especialmente em um cenário de reeleição do governo Lula, mas defendeu a tese de queda dos juros de médio prazo na curva prefixada.
O gestor disse acreditar que o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad pode assumir um papel ainda mais central em um eventual quarto mandato de Lula. “E o mercado tende a olhar o Haddad com mais bons olhos do que olharia o PT. E, se isso acontecer, o mercado vai comprar uma mudança de direção para um maior controle fiscal, ainda que não seja enorme. Pode não ser uma reancoragem muito rápida, como aconteceria em outro cenário, mas, dado o nível de preço atual dos ativos, o mercado vai comprar bem fácil essa história”, afirmou Serra.
Apesar da volatilidade dos mercados globais e da recente disparada dos preços do petróleo, o Itaú Janeiro reforça que a aposta na queda dos juros nominais de prazo intermediário no Brasil é a maior dentro do fundo neste momento.
Segundo o gestor, há um acúmulo de sinais de desaceleração econômica no país e as medidas anunciadas pelo governo não devem, seja pelo seu tamanho ou pela eficácia, sustentar a atividade em um ritmo mais forte nos próximos meses.
A equipe dos fundos Janeiro também trabalha com uma projeção de inflação próxima de 4,60% para 2026 — abaixo da atual expectativa de consenso do mercado — e acredita que, no acumulado dos próximos quatro meses, a inflação deverá rodar perto de zero.
Assim, para o time, há uma oportunidade relevante de apostar na queda dos juros nominais no Brasil em prazos de cinco anos, que estão perto de 14,5%, nível próximo das máximas dos últimos 20 anos.
Como a inflação implícita das NTN-Bs permanece em um nível elevado, de aproximadamente 6%, o prêmio pago para se proteger de uma alta de preços parece muito elevado, segundo Serra, o que diminui o apelo pelos títulos públicos atrelados à inflação.
As medidas de estímulo fiscal promovidas pelo governo, segundo o ex-diretor do BC, tiveram um efeito de impulsionar a economia no começo deste ano, mas não há mais espaço nas contas públicas para novas iniciativas no início de um eventual quarto mandato Lula.
Serra reconhece que o atual momento dos mercados globais é de turbulência elevada com a guerra no Irã e seus efeitos sobre o preço do petróleo. “Mas é nesse momento de volatilidade alta que estão as melhores oportunidades. A postura da maioria do mercado tem sido a de tirar o risco da mesa, mas nós acreditamos que a volta desse movimento pode ser rápida.”
Fonte: Valor Econômico


