Pacote cria taxa sobre recompra de ações e uma alíquota mínima de imposto para as empresas
Por Reuters — De Nova York
09/08/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
O projeto de lei sobre clima, saúde e impostos aprovado pelo Senado dos EUA no fim de semana poderá diminuir ligeiramente os lucros das empresas e fazer com que antecipem seus planos de recompra de ações, ao mesmo tempo em que poderá impulsionar alguns setores, como montadoras de veículos elétricos, empresas de biocombustíveis e de energia solar.
A Lei de Redução da Inflação, de US$ 430 bilhões, cria um novo imposto sobre operações de recompra de ações e uma alíquota mínima de 15% de imposto sobre as empresas. O projeto de lei será encaminhado agora à Câmara dos Deputados, controlada pelos democratas, que deverá aprová-lo nesta sexta-feira e seguir para a assinatura do presidente Joe Biden. As mudanças tributárias entrarão em vigor a partir de 2023.
Estima-se que esses dois impostos reduzirão os ganhos por ação de 2023 das empresas do índice S&P 500 em aproximadamente 1,5%, estima o Goldman Sachs, que espera quedas maiores em setores com alíquotas efetivas baixas, como de assistência médica e de tecnologia da informação (TI).
A diretora de investimentos do UBS, Solita Marcelli, estima que os novos impostos reduzirão “em um índice muito mínimo, de 1%, os lucros por ação das empresas do S&P 500, mas que algumas serão mais afetadas do que outras”.
Alguns investidores preveem uma corrida de recompra de ações pelas companhias. “O ponto principal que chama a atenção é que vamos ver uma aceleração das recompras antes do fim do ano”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital, sediada em Nova York. “As empresas vão preferir não pagar esse imposto… Elas têm essa brecha, e você pode ter certeza que vão aproveitá-la.”
A recompra de ações alcançou um recorde de US$ 281 bilhões no primeiro trimestre de 2022, segundo Howard Silverblatt, analista do S&P, embora tenham caído 17,4% no segundo trimestre.
Mas no mais longo prazo, é pouco provável que o imposto de 1% iniba as operações de recompra de ações, diz Silverblatt, do S&P.
Jaret Seiberg, do Cowen Washington Research Group, concorda que será difícil “ver as empresas mudarem de comportamento” em resposta ao imposto de 1%. Mas, observa, há o risco de taxar dividendos se tornar “uma maneira fácil de arrecadar dinheiro adicional” e que o Congresso eleve a alíquota de 1% no futuro.
Por outro lado, a alta dos impostos sobre as empresas também pode reduzir as margens de lucro das empresas, diz John Petrides, gestor da Tocqueville Asset Management. “O aumento nos impostos reduzirá o incentivo para contratar e poderá levar à mais investimentos com bens de capital para a automação”, disse Petrides.
Já alguns setores receberam impulso ontem, com ações de montadoras americanas fabricantes de veículos elétricos (VE) como a Tesla, a Rivian Automotive, a Ford Motor a General Motors e a Lordstown Motors subindo entre 3% e 6%.
O projeto de lei cria um incentivo fiscal de US$ 4.000 para veículos elétricos usados e fornece bilhões em crédito para a produção dessa categoria de veículos.
“Alguns dos subsídios e incentivos para VEs serão proveitosos e contribuirão para que essas montadoras tenham mais encomendas”, disse Hayes. Para ele, o maior beneficiário será a Tesla.
As ações de empresas de biotecnologia e farmacêuticas poderão se recuperar após alguma incerteza, pelo fato de o projeto de lei ser “menos oneroso do que se previa inicialmente no que se refere à negociação de preços de medicamentos”, segundo Hayes.
Para Peter Tuz, presidente do Chase Investment Counsel, o projeto de lei é apenas ligeiramente negativo para o setor de saúde. “As medidas serão introduzidas gradualmente e apenas afetam alguns medicamentos, portanto ‘a pegadinha’ está nos detalhes.”
As ações das produtoras de biocombustíveis – Darling Ingredients, Neste, Gevo – também chegaram a subir ontem, impulsionadas pelas previsões de que se beneficiarão da prorrogação do incentivo fiscal às misturas de biocombustíveis e da criação de créditos fiscais para combustível de aviação sustentável incluídas no pacote.
Fonte: Valor Econômico