Por Matheus Prado, Valor — São Paulo
06/06/2023 14h54 Atualizado há 17 horas
Otimistas com a bolsa brasileira há alguns meses, estrategistas do J.P. Morgan vinham escrevendo que a recomendação de compra para ativos brasileiros era simples, dados os preços, mas que estava difícil prever o timing da recuperação. Agora, Emy Shayo Cherman e equipe chamam atenção para três fatores que podem ajudar a determinar o interesse de investidores pela bolsa doméstica.
“Já dizíamos que os ‘valuations’ estão baratos ao mesmo tempo em que se espera uma redução nos juros. No entanto, as premissas macro também estão melhorando. No último mês, os dados relacionados à atividade econômica estão melhorando, enquanto os dados relacionados à inflação estão caindo. A nosso ver, não poderia haver premissa melhor para que os investidores olhem para o Brasil, principalmente em um momento em que os fluxos indicam que os investidores ainda estão um pouco à margem”, dizem os estrategistas.
Confira os três pontos:
1) O índice de surpresa econômica do J.P. Morgan para o Brasil (JPEASIBR) está em seu nível mais alto desde janeiro de 2022. O banco afirma que há uma boa correlação entre a direção do indicador e a dos mercados de ações. Entre os indicadores divulgados em maio que se saíram melhor que o esperado, os estrategistas citam produção industrial; vendas no varejo; volume de serviços prestados; IBC-Br; PIB; desemprego; IPCA-15 e IGP-M.
2) A pesquisa Focus, do Banco Central, começa a caminhar na direção “certa”, ou seja, começa a apontar para expectativas de inflação mais baixas e crescimento maior. É verdade, escrevem os estrategistas, que isso ainda está concentrado em 2023 e que não há grandes mudanças nas expectativas de 2024. Ainda assim, eles afirmam que é um alívio importante em relação ao que se via antes.
“Uma retração nas expectativas de inflação de 2024 pode ocorrer no fim do mês, quando o Conselho Monetário Nacional decidirá se mantém ou não a meta de inflação para 2024 em 3%. O ruído em fevereiro em relação à meta levou a um aumento significativo nas expectativas nessa frente. A expectativa agora é de que a meta se confirme no patamar previamente definido.”
3) Em relação ao fluxo, os estrategistas do J.P. atentam que maio de 2023 foi o primeiro mês em um ano no qual os investidores institucionais locais foram compradores líquidos de ações. Segundo o banco, isso é relevante porque pode ser um sinal importante de que a fortíssima onda de resgates que atingiu fundos dedicados a ações e multimercados pode estar próxima do fim.
Fonte: Valor Econômico


