Por Grant Smith, Bloomberg
24/08/2023 15h35 Atualizado há 19 horas
Os principais produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) podem precisar considerar novos cortes, diante do crescimento inesperado da oferta de petróleo de alguns dos países mais problemáticos do grupo, segundo o Citigroup.
Irã, Iraque, Líbia, Nigéria e Venezuela — que têm enfrentado perdas e interrupções de produção nos últimos anos — irão adicionar cerca de 900.000 barris por dia de produção este ano e pelo menos o mesmo em 2024, estima o banco. Isso seria suficiente para satisfazer o crescimento da demanda global por petróleo, afirmou.
“De repente, eles se tornaram fontes de crescimento, e serão fontes de crescimento durante cinco, quatro anos — ou talvez até mais, no caso do Iraque e da Venezuela”, disse em entrevista Ed Morse, chefe de pesquisa de commodities do Citigroup. “Nos chama a atenção que os principais países da Opep+ têm um problema nas mãos.”
Todas as cinco nações mostram sinais positivos de recuperação da produção, enquanto o crescimento do consumo será limitado pela expansão incerta da China, disse Morse.
A produção iraniana se recupera à medida que o país exporta grandes volumes para a China, ao mesmo tempo em que ensaia uma melhora nas relações com os EUA.
O Iraque pode restaurar suprimentos quando chegar a um acordo sobre um oleoduto fechado, conectado à Turquia, e também aumentar capacidade.
A Nigéria melhorou a segurança na conturbada região do Delta do Níger, rica em petróleo, enquanto a Venezuela está em tratativas com Washington sobre o alívio das sanções impostas sobre o regime de Nicolás Maduro. E até a Líbia, há muito assolada pela instabilidade, tem potencial para expansão.
Como resultado, a Arábia Saudita, líder da Opep, e os seus aliados do Golfo Pérsico — que reduziram a produção este ano para reforçar os preços do petróleo – poderão enfrentar pressão para reduzir ainda mais a produção, disse Morse.
O reino já reduziu a oferta para o nível mais baixo em dois anos, perto de 9 milhões de barris por dia.
“Será um grande problema”, disse Morse. “Acho que eles terão que cortar e não sei até que ponto será fácil para eles fazerem isso.”
Fonte: Valor Econômico


