Por Arthur Cagliari e Daniel Gateno — De São Paulo
28/06/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
A máxima “quanto pior, melhor” tem feito sentido nas últimas sessões em Wall Street. Se a chance de uma recessão pode vir a frear o aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), dados econômicos mais fortes dão mais margem à ação da autoridade. Foi este último cenário que se desenhou ontem e acabou levando as bolsas de Nova York para o vermelho.
No fim da sessão, o índice Dow Jones terminou em queda de 0,20%, a 31.438,26 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,30%, a 3.900,11 pontos, e o Nasdaq caiu 0,72%, a 11.524,55 pontos. Entre os índices setoriais do S&P 500, o melhor desempenho ficou com o segmento de energia, com ganhos de 2,78%. O setor busca se recuperar das perdas recentes, que sofreu após temores de recessão global afetarem a demanda por petróleo.
Essa perspectiva, no entanto, vem mudando nos últimos dias. Ontem, o J.P. Morgan avaliou que, “embora a probabilidade de recessão tenha aumentado significativamente, não a vemos como um cenário base nos próximos 12 meses. De fato, vemos o crescimento global acelerando de 1,3% no primeiro semestre deste ano para 3,1% no segundo semestre”.
Não bastasse isso, dados de encomendas de bens duráveis nos EUA, em maio, vieram mais fortes do que o esperado. “O aumento robusto foi muito melhor do que algumas das evidências pessimistas da pesquisa sugeriram”, escreveu em nota Michael Pearce, economista sênior da Capital Economics.
Para tirar mais ainda a chance de uma retração do horizonte próximo, o indicador GDPNow, do Fed de Atlanta, divulgado ontem, apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) americano deve crescer 0,3% no segundo trimestre. Na projeção anterior, de 16 de junho, o medidor apontava para uma estabilidade.
Se por um lado a força na economia afasta uma recessão, por outro, o cenário oferece mais margem ao Fed em seu aperto monetário rígido. Assim, ontem, a chance de mais um aumento de 0,75 ponto nas taxas de juros dos EUA era de 96,3%, segundo dados do CME Group, com base nos contratos futuros dos Fed Funds. Na semana passada, essa probabilidade era de 88,5%.
Fonte: Valor Econômico
