Com níveis de juro real parados acima de 7%, as NTN-Bs dependem do mercado de prefixados para “andar” e podem ter dificuldade para uma valorização expressiva em relação a outros ativos, mesmo em um ambiente positivo.
Ontem, nos vértices ultralongos, o dia foi de alta dos juros reais: a taxa da NTN-B com vencimento em maio de 2035 avançou de 7,530% para 7,547%, enquanto a do papel que vence em agosto de 2060 avançou de 7,127% para 7,155%.
A avaliação é defendida pelo diretor de investimentos (CIO) da SulAmérica Investimentos, Luís Garcia, que diz ter dificuldade em ver qual agente de mercado poderia promover o fechamento (queda) das taxas das NTN-Bs isoladamente. “Se houver uma melhora de clima no Brasil por causa do fiscal ou de uma expectativa de mudança de política econômica, os ativos irão ‘performar’ de forma parecida”, observa o executivo.
Para ele, não há um ganho em se investir nas NTN-Bs nesse aspecto, ao se ter em vista que os juros prefixados ou a bolsa poderiam se valorizar da mesma forma e, possivelmente, em magnitude semelhante à dos títulos.
“Tenho dificuldade em ver qual agente vai querer comprar as NTN-Bs de forma suficiente para promover um ‘fechamento’ de taxas desproporcional e mais favorável do que ocorreria na curva de juros prefixados, na bolsa ou no câmbio. Na lista de preferência dos investidores, a NTN-B ocupar uma posição de destaque é algo mais difícil, até por ser um mercado mais complexo de se operar, e em um momento no qual os fundos de pensão já estão ‘lotados’ de NTN-B.”
Entre casas que olham para o longo prazo, a UBS Global Wealth Management, continua a classificar os papéis indexados à inflação como atraentes. No momento em que a curva de juros “reflete ceticismo quanto à profundidade e duração do ciclo de afrouxamento”, as NTN-Bs “continuam oferecendo características atrativas de carregamento e permanecem como componente-chave na construção de portfólios, especialmente nos vencimentos intermediários”, aponta Ronaldo Patah, chefe de estratégia de investimentos da UBS Wealth no Brasil.
Ele, contudo, avalia em nota que o desempenho das NTN-Bs “depende cada vez mais de sinais críveis de disciplina fiscal”. A preferência da casa está em vencimentos superiores ao IMA-B, como papéis com vencimento em 2035.
Fonte: Valor Econômico