Número de óbitos poderá crescer 50% nas próximas 3 décadas se políticas de prevenção e monitoramento não forem aprimoradas; aumento será maior em países como o Brasil
- O Estado de S. Paulo.
- 10 Oct 2023
- FABIANA CAMBRICOLI
Óbitos por acidente vascular cerebral aumentarão em 50%, aponta pesquisa publicada no Lancet Neurology.
O número de mortes por acidente vascular cerebral (AVC) no mundo poderá aumentar 50% e chegar a quase 10 milhões até 2050 se ações de monitoramento e prevenção não forem aprimoradas, diz estudo da Organização Mundial do AVC publicado no periódico científico Lancet Neurology.
A estimativa prevê que o número de vítimas da condição poderá passar dos 6,6 milhões registrados em 2020 para 9,7 milhões em 2050, com um aumento superior em países de renda baixa e média, grupo do qual o Brasil faz parte. Os dados de 2020 indicam que 86% dos óbitos daquele ano ocorreram nos países mais pobres. Em três décadas, esse porcentual deverá chegar a 91%, dizem os pesquisadores, e as mortes ficarão ainda mais concentradas nessas nações.
De acordo com a projeção, o cenário levaria a um aumento de mais de 100% nos custos diretos e indiretos do AVC. Estima-se que os gastos com tratamento e reabilitação, somados às perdas de renda causadas pelas pessoas mortas e com sequelas, passem de US$ 891 bilhões (R$ 4,5 trilhões) para US$ 2,3 trilhões (R$ 11,8 trilhões) entre 2020 e 2050.
Os pesquisadores ressaltam que o AVC, que já é a segunda causa de morte no mundo, vem aumentando “de forma alarmante” entre pessoas jovens e de meia-idade (abaixo dos 55 anos). Os cientistas também ressaltam que o problema é ainda a terceira causa de incapacidade e uma das principais causas de demência.
HIPERTENSÃO. De acordo com o estudo, entre as principais explicações para o aumento de mortes por AVC, em especial nos países de renda média e baixa, estão o alto número de casos de hipertensão arterial não diagnosticada ou não controlada, dificuldade de acesso a serviços de saúde de qualidade, investimentos insuficientes em prevenção dos fatores de risco, poluição do ar e estilo de vida pouco saudável.
Além disso, a alta prevalência de doenças infecciosas agudas que ainda atingem países mais pobres causa uma sobrecarga no sistema de saúde que dificulta a assistência adequada a pacientes com doenças crônicas que aumentam o risco de AVC porque o sistema nem sempre consegue dar conta de atender os pacientes com os dois tipos de enfermidades.
Custo mais que dobra Gastos com tratamento e prevenção vão chegar a US$ 2,3 trilhões (R$ 11,8 tri) entre 2020 e 2050
ENVELHECIMENTO. Neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Leandro Gama lembra ainda que, em todo o mundo, e também no Brasil, o acelerado envelhecimento populacional também aumenta a chance de ocorrência do AVC. “Quanto mais idosa a população, maior o risco. Como a expectativa de vida está aumentando, a gente vê o aumento de AVCs”, diz o especialista, que ressalta que a idade avançada somada ao aumento de fatores de risco agrava o cenário. •
Fonte: O Estado de S. Paulo