Os participantes do mercado esperavam que a eleição presidencial só começasse a entrar de fato na rotina dos ativos domésticos depois da Copa do Mundo e das férias de julho. O chamado “Flávio Day 2.0”, porém, antecipou parte da volatilidade eleitoral ao provocar um choque de credibilidade no campo da direita e um forte ajuste nos preços dos ativos brasileiros. Agora, passados alguns dias do episódio, o mercado ensaia uma acomodação e volta a dar peso extra aos eventos externos, sobretudo às negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, ainda que siga atento às movimentações eleitorais.
Parte dessa tentativa de acomodação vem, justamente, das últimas pesquisas de intenção de voto e de levantamentos diários aos quais o mercado tem acesso. “Pesquisas privadas e ‘trackings’ [monitoramento diário feito por alguns institutos] sugerem alguma estabilização no ‘gap’ recente entre Lula e Flávio”, afirma o trader de um grande banco local.
Isso se refletiu, inclusive, no site de apostas Polymarket. Entre sexta-feira e a manhã desta terça-feira, a chance de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou de 46% para 42%, enquanto a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) subiu de 26% para 28%.
Ainda nesta manhã, o candidato Renan Santos (Missão) tinha 13,6% no Polymarket, enquanto o ex-ministro Fernando Haddad (PT) aparecia com 5,3%, em uma aposta “outlier” no site. Haddad deve ser candidato ao governo de São Paulo, mas vale notar que houve essa subida em suas chances nos últimos dias.
A partir da sensação de acomodação das apostas eleitorais, ao menos por enquanto, os participantes do mercado voltam a dar mais peso ao cenário externo. Essa, ao menos, é a sensação ao se observar o comportamento dos ativos domésticos desde meados da semana passada e da sessão de ontem.
Com o alívio na percepção de risco externa em torno da guerra, não foi difícil o real voltar a se apreciar, apesar da desvalorização relevante dos preços do petróleo, ao mesmo tempo em que os juros futuros conseguiram queimar prêmios de risco, dando apoio à valorização do Ibovespa.
Fonte: Valor Econômico