Por Rafael Rosas, Valor — Rio
01/02/2024 14h14 Atualizado há 19 horas
O cenário macroeconômico benigno, com inflação controlada, câmbio sem grandes oscilações e taxa de juros em trajetória de que, contribuiu para a alta do Índice de Confiança Empresarial (ICE), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), em janeiro.
O indicador avançou 0,4 ponto em janeiro, para 95,1 pontos, o maior nível desde outubro de 2022. Apesar da alta, o ICE segue abaixo do patamar de otimismo de 100 pontos, mas o superintendente de estatísticas do FGV Ibre, Aloisio Campelo, frisa a importância do que chama de “situação normal”, uma vez que as expectativas estão, pela primeira vez desde outubro de 2022, acima da análise sobre a situação atual.
Em janeiro, o Índice de Expectativas Empresarial (IE-E) subiu 1,6 ponto, para 95,5 pontos, enquanto o Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) recuou 0,8 ponto no mês, para 94,8 pontos.
O Índice de Confiança Empresarial (ICE) consolida os índices de confiança dos quatro setores cobertos pelas Sondagens Empresariais produzidas pelo FGV IBRE: Indústria, Serviços, Comércio e Construção.
Campelo ressalta que o quadro anterior — com o ISA à frente do IE — era “desanimador”, uma vez que o indicador de confiança tem como característica ser “puxado” pelas expectativas. “Agora acontece uma virada mais tradicional, cíclica, quando costuma acontecer quando tem mudança na política monetária, com juros mais baixos”, diz Campelo.
O economista acrescenta que a importância da queda de juros nesse quadro e cita os avanços na confiança da Indústria, que subiu 1,8 ponto em janeiro, para 97,4 pontos — maior nível desde setembro de 2022 — e do comércio, que cresceu 1,2 ponto em janeiro, para 90,5 pontos.
“Está ganhando força a percepção no meio empresarial de aceleração dos segmentos mais cíclicos”, diz Campelo. A confiança dos serviços avançou 1,9 ponto em janeiro, para 95,7 pontos, enquanto a construção caiu 0,2 ponto, para 95,8 pontos, mas mantendo-se como o segundo mais alto entre os quatro grandes setores.
Ele acrescenta que indústria e comércio são muito dependentes de juros mais baixos e mostram avanços importantes nesse início de ano na confiança.
A recuperação, porém, se dá “sem saltos”. “É uma recuperação gradual, com percepção que começa a ganhar força”, afirma.
Campelo ressalta que ainda há preocupação com relação à questão fiscal, uma vez que os gastos governamentais ganham força. Mas ele destaca que a percepção de melhora, refletida na confiança empresarial, aponta para uma visão uniforme entre os diversos setores no começo de 2024, depois de um ano de 2023 em que o crescimento da economia brasileira foi muito baseado em desempenhos particulares de segmentos como o agronegócio.
“Dependendo do interlocutor, ainda se vê uma preocupação com o lado fiscal”, diz Campelo. “Mas nos demais componentes macroeconômicos há um ambiente positivo, com inflação baixa e juros em queda”, afirma o economista.
Fonte: Valor Econômico
