Por Bloomberg
25/08/2023 10h28 Atualizado há 28 minutos
Um rápido rali no mercado acionário da China após a mais recente tentativa do governo de Pequim para impulsionar o crescimento destaca o nível de pessimismo de investidores em relação à segunda maior economia do mundo.
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A divulgação de medidas de estímulo para o setor imobiliário nesta sexta-feira levou a uma onda inicial de compras. O CSI 300, índice acionário de referência da China, reverteu as perdas e chegou a subir 0,3%. Mas o indicador retomou a trajetória de queda depois de aproximadamente 10 minutos e atingiu uma nova mínima na sessão, encerrando em baixa de 0,4%.
Um indicador de ações de incorporadoras também devolveu mais da metade dos ganhos puxados por notícias relacionadas ao mercado imobiliário. Enquanto isso, os índices de referência em Hong Kong ignoraram uma reportagem da Reuters sobre os planos da China de reduzir o chamado imposto “stamp duty” sobre a negociação de ações no mercado doméstico em até 50%.
A resposta reflete as incertezas que dominam o mercado acionário da China e mostra mais uma vez que os esforços das autoridades para restaurar a confiança de investidores são insuficientes. Com queda de cerca de 10%, um indicador de ações chinesas listadas em Hong Kong mostra o pior desempenho do mundo neste mês entre mais de 90 índices acionários acompanhados pela Bloomberg. Fundos estrangeiros têm vendido ações onshore em ritmo recorde.
“O mercado está menos sensível às notícias nesta fase atual”, disse Li Fuwen, gestor de fundos da Guangdong Value Forest Private Securities Investment Management. “O que é fundamental agora é deixar que esse ‘momentum’ de baixa se esgote organicamente, uma vez que as políticas já se tornaram favoráveis, mas levará algum tempo até que as posições vendidas se esgotem.”
As bolsas começaram a sessão com perdas mesmo depois de a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) ter aproveitado um seminário na quinta-feira com executivos do fundo de pensões do país, grandes bancos e seguradoras para lhes pedir que aumentem o apoio ao mercado. Representantes de instituições financeiras participantes prometeram ajudar a estabilizar os mercados acionários e impulsionar o desenvolvimento econômico, de acordo com comunicado da CSRC.
A reunião coincidiu com anúncios divulgados por várias corretoras na quinta-feira para reduzir comissões.
Fang Xinghai, vice-presidente da CSRC, também planejou realizar uma reunião com algumas das maiores gestoras de ativos do mundo em Hong Kong na sexta-feira, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. Fidelity International e Goldman Sachs estavam entre os convidados, disse uma das pessoas.
Tudo isso ocorreu depois de a China ter tomado uma série de medidas nas últimas semanas para aumentar a confiança de investidores, como orientar fundos mútuos a comprarem seus próprios produtos e evitar vender ações. Autoridades também incentivaram empresas a intensificar as recompras de ações.
Flexibilização das hipotecas
Nesta sexta-feira, a agência de notícias oficial Xinhua informou que a China propôs que governos locais possam eliminar uma regra que desqualifica pessoas que já tiveram uma hipoteca — mesmo que totalmente paga — de serem consideradas como primeiros compradores nas grandes cidades.
Em pelo menos dez das maiores cidades, compradores com registro de hipotecas, mas que ainda não possuem um imóvel, precisam pagar entradas mais elevadas e estão sujeitos a limites de empréstimo mais restritivos. Isso esfriou a demanda, já que esses indivíduos foram considerados como compradores do segundo imóvel.
A recente medida vai “liberar algum poder de compra, mas o foco ainda está no problema de dívida existente das incorporadoras”, disse Steven Leung, diretor executivo da Uob Kay Hian Hong Kong.
A CSRC irá estudar sugestões de instituições financeiras para melhorar o apoio e condições para que fundos de pensão, de seguros e de gestão de patrimônio dos bancos participem no mercado a longo prazo, disse o regulador em comunicado.
Fonte: Valor Econômico
