Por Yang Jie — Dow Jones Newswires
13/04/2022 05h02 Atualizado há 7 horas
Mais fábricas de Xangai e seu entorno, incluindo duas de uma fornecedora da Apple, suspenderam a produção devido a prorrogação do lockdown contra a covid-19 na região, aumentando a pressão sobre as cadeias de suprimentos globais.
Analistas disseram que as fabricantes da área de Xangai enfrentam mais problemas para entregar peças devido às restrições à circulação, que dificultam o ingresso de caminhões na região. Isso significa que algumas fábricas não conseguem operar, apesar do sistema de bolha, no qual os funcionários são mantidos em locais isolados nos complexos industriais.
A Pegatron, grande montadora de produtos da Apple, disse ontem que suspendeu temporariamente a produção na fábrica de Xangai e também na província de Jiangsu, em cumprimento às exigências do governo regional.
A Pegatron, sediada em Taiwan, é a segunda maior montadora de iPhones da Apple depois do Foxconn Technology Group. A Pegatron disse que está cooperando com o governo para retomar as operações assim que possível, mas sem fornecer uma data.
A fornecedora alemã de autopeças e de chips Robert Bosch disse ontem que teve de suspender a produção em unidades de Xangai e da cidade de Changchun, no norte do país, por causa das medidas locais de combate à pandemia. Duas outras fábricas em Xangai e em Taicang, nas redondezas, ainda funcionam sob o sistema de bolha.
Uma porta-voz da Bosch disse que a empresa está “fazendo tudo o que está ao nosso alcance para manter as cadeias de suprimentos o máximo possível”.
A produção em muitas fábricas da área de Xangai está parada desde março devido às rígidas medidas do governo chinês para barrar a propagação da covid-19. A Tesla suspendeu o trabalho em sua fábrica de Xangai em 28 de março.
Os lockdowns da China visam suprimir a covid-19 e permitir a retomada da atividade econômica. Em vez disso, a doença continua a se disseminar e os prejuízos que causa às economias global e locais são cada vez maiores.
Os motoristas de caminhão têm de apresentar um resultado negativo do teste do coronavírus feito nas últimas 48 anos para entrar em Xangai e alguns estão evitando viagens para a cidade, por medo de ter de cumprir quarentena.
Muitas fabricantes de produtos eletrônicos de Xangai e regiões adjacentes dependem de estoques acumulados no local de trabalho e enfrentam obstáculos para manter a produção porque não conseguem receber peças, como semicondutores, módulos de baterias e painéis eletrônicos, disse ontem a empresa de pesquisa TrendForce, sediada em Taiwan.
Um dos componentes atingidos pelo caos no campo da logística é conhecido como capacitor cerâmico multicamadas (MLCC, na sigla em inglês), às vezes chamado de o arroz da eletrônica, por ser uma parte básica de todos os tipos de produtos, desde smartphones até veículos elétricos.
A cadeia de suprimentos mais comum na China envolve MLCCs produzidos em outras partes do país que são remetidos para Xangai e para as províncias próximas, que abrigam as empresas que projetam e fabricam produtos eletrônicos para grandes marcas de produtos de consumo, como a Apple. Mas a TrendForce disse que as fornecedoras enfrentam problemas para entregar as MLCCs onde elas são necessárias.
A China registrou ontem 24.659 novos casos de covid-19, sendo 1.272 deles assintomáticos. Desse total, 23.346 casos são de Xangai.
Fonte: Valor Econômico


