O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 44% em eventual segundo turno entre os dois, num cenário de empate técnico, segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17). Os percentuais são iguais aos alcançados por ambos nos dois levantamentos anteriores do instituto, todos com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. No primeiro turno, o quadro também é de empate técnico, com Lula numericamente à frente. O candidato à reeleição marca 39%, enquanto Flávio aparece com 36%.
Na rodada da semana passada, divulgada na sexta (11), o candidato do PT atingia os mesmos 39% no primeiro turno, enquanto o do PL possuía 35%. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre terça (15) e quinta, captando os efeitos da conturbada sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça, quando ministros trocaram ataques durante a discussão sobre autorizar ou não a investigação de Alexandre de Moraes. A sessão que analisaria o caso do ministro André Mendonça, marcada para quarta-feira (23), foi adiada por decisão do presidente da Corte, Edson Fachin. A estabilidade no quadro dos resultados sugere que o imbróglio do Banco Master não impactou o desempenho dos dois principais candidatos neste momento.
Também é o primeiro levantamento feito pelo Datafolha após a revelação de que Flávio é alvo de uma investigação no caso do financiamento do filme “Dark Horse” pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quando as conversas entre eles vieram a público, em maio, Lula chegou a abrir 9 pontos de vantagem no primeiro turno (40% x 31%), mas o adversário conseguiu reduzir a distância nos meses seguintes.

A pesquisa de agora foi realizada em sua maior parte antes do anúncio do governo federal sobre o aumento de 15% do Bolsa Família, dos atuais R$ 600 para R$ 691, a partir de outubro. A medida, divulgada pelo Planalto no fim da manhã de quinta, ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições e é alvo de oposição sob a acusação de ser eleitoreira.
Entre quem recebe Bolsa Família ou mora numa residência com beneficiários do programa, 53% declaram voto em Lula no primeiro turno, enquanto 28% optam por Flávio. Na parcela não beneficiada, direta ou indiretamente, 36% votariam no petista no primeiro turno, ante 37% que optariam por Flávio. Num eventual segundo turno, o presidente tem 60% de apoio entre beneficiários, e o senador fica com 33%.
O cenário de primeiro turno é estável entre os candidatos do “segundo pelotão”, com todos mantendo os índices registrados na semana passada. Augusto Cury (Avante) continua com 6%, Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Renan Santos (Missão) marca 3%, e Romeu Zema (Novo) registra 2%. Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1% cada um. Outros candidatos não pontuaram. Votos em branco ou nulos somam 6%, enquanto 3% se dizem indecisos.
Lula e Flávio também estão empatados no quesito rejeição: 47% dizem que não votariam de jeito nenhum no atual presidente, mesmo percentual dos que descartam escolher o senador. Na pesquisa anterior, o índice de quem rejeitava os candidatos também era idêntico (46%).
Outras simulações de segundo turno testadas pelo Datafolha mostram adversários próximos de Lula. Em embate contra Cury, o presidente marca 44%, empatado com o escritor (44%). Contra Caiado, Lula tem 46%, enquanto o ex-governador de Goiás alcança 42%. Num embate contra Santos, Lula teria uma distância maior, vencendo o líder do Movimento Brasil Livre por 47% a 38%. Contra Zema, Lula marca 49%, enquanto o ex-governador de Minas Gerais registra 39%.
Na pesquisa espontânea, em que o instituto não mostra os nomes dos candidatos aos entrevistados, Lula passou de 33% na semana passada para 35% nesta, uma variação dentro da margem de erro, assim como a oscilação registrada por Flávio, que foi de 25% para 26%. Cury é citado por 3% (mesmo percentual) e Caiado é lembrado por 2% (era 1%).
Quando a pesquisa saiu às ruas, ainda constava entre os candidatos Pablo Marçal (PRTB), mas ele está inelegível e teve a candidatura negada pela Justiça Eleitoral. O partido trocou Marçal pelo presidente da sigla, Leonardo Avalanche, numa movimentação que ainda precisa de aprovação colegiada para ser oficial. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-04029/2026.
A situação também é de estabilidade em relação à imagem do governo Lula. A gestão do petista é reprovada por 50% dos eleitores e aprovada por 48%. Na semana passada, 50% desaprovavam a gestão e 47% aprovavam. Os indecisos continuaram em 3%.
A avaliação teve oscilações dentro da margem de erro. Consideram o governo ruim ou péssimo 42%, resultado igual ao de sexta-feira. A avaliação positiva era de 32% e agora está em 34%. Para 23%, o governo Lula é regular (ante 25% há uma semana).
Fonte: Valor Econômico


