A corrida global pela inteligência artificial está abrindo uma nova frente de investimentos para o brasileiro. Um fundo imobiliário (FII) de data centers lançado pela AZ Quest captou R$ 482 milhões e atraiu mais de 7 mil investidores, ao combinar uma estrutura já conhecida pelo varejo com um segmento cuja demanda cresce com a expansão da inteligência artificial
O AZ Quest Panorama Data Centers FII (AZDC) investe em imóveis que abrigam data centers, infraestrutura usada para armazenar e processar dados e cuja demanda ganhou impulso com o avanço da inteligência artificial. O fundo adquiriu quatro ativos da Scala Data Centers – em Fortaleza (CE). Tamboré (SP), Jundiaí (SP) -, por meio de operações de sale and leaseback, modelo em que os imóveis são vendidos ao fundo e alugados de volta à empresa. Os contratos têm prazo de dez anos.
A estrutura se aproxima da de fundos de galpões logísticos já conhecidos pelos investidores brasileiros, mas os imóveis são ocupados por data centers da Scala, que atende grandes empresas de tecnologia, como Space X, Google, Amazon e Meta. Para a AZ Quest, essa combinação ajudou a aproximar do investidor de varejo uma tese à qual ele ainda tem poucas formas de se expor diretamente no mercado brasileiro.
Diversificação do risco de crédito
“Tem alguma coisa no Brasil com risco de crédito melhor? Tem algo que o governo pode fazer para causar um centavo de insegurança ou prejuízo no cash flow dessas empresas? Não”, diz o CEO Walter Maciel. “É uma diversificação de risco de crédito que o investidor não tem. A cota sênior paga IPCA + 9,5%, em um fundo de sales and lease back de um serviço essencial, que não pode ser desligado”.
Parte da captação expressiva, em um momento em que muitos players reclamam da baixa liquidez do mercado, tem a ver com o “fenômeno XP”, como Maciel descreve a capilaridade de distribuição da corretora que ajudou a impulsionar a oferta. Mas parte tem a ver com a falta de alternativas para que o investidor brasileiro se exponha à tese de IA diretamente no País.
A AZ Quest uniu uma trend global a um produto que o brasileiro conhece e gosta. A gestora está estruturando também um próximo fundo de equities da Scala, com planos para lançá-lo ainda neste ano, justamente porque acredita no potencial da IA e do Brasil nessa cadeia.
“Estamos popularizando uma tese que é vital para os interesses de longo prazo do Brasil, que pode mudar a trajetória de crescimento do País no longo prazo. E entregando um negócio de altíssima qualidade para o investidor”, diz Maciel.
Para o CEO da AZ Quest, esse é o grande gargalo da IA. O ponto que deve ser enfrentado para colocar todo o investimento feito – um capex que chegará a US$ 1 trilhão já nos próximos anos – de pé.
E é ai que entra o potencial do Brasil, uma das maiores lideranças mundiais em energia limpa, podendo sair na dianteira nesse campo e atrair muito capital internacional. “As empresas vão procurar outro destino [que não os EUA] e o Brasil tem uma oportunidade única. Se fizermos a coisa certa, em 10 anos, o País pode estar em outro patamar de desenvolvimento.”
Desde 2022, a AZ Quest vem expandindo a prateleira de ativos alternativos, porque acredita no poder de descorrelação de riscos que a classe traz ao portfólio. É o investimento “antifrágil”, diz Maciel.
“Na hora que tem uma crise, o frágil quebra e o sólido não se mexe. Queremos o ‘antifrágil’”, diz. Se o gargalo da IA é energia, o do mercado brasileiro é financiamento, defende. Daí a oportunidade em projetos ligados à infraestrutura, crédito e real state.
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