A redução na última linha do balanço foi impactada pelo aumento de 56,8% das despesas financeiras com a alta dos juros
Por Beth Koike, Valor — São Paulo
04/05/2023 18h45 Atualizado há 3 dias
O Fleuryregistrou lucro líquido de R$ 93,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma queda de 15% em relação a 2021. A redução na última linha do balanço foi impactada, principalmente, pelo aumento de 56,8% das despesas financeiras com a alta dos juros.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 5,9% para R$ 345,8 milhões. A margem do respectivo indicador caiu dois pontos percentuais para 28% nos três primeiros meses do ano.
A receita subiu 13,4% para R$ 1,3 bilhão. Já os custos avançaram 15% para R$ 880 milhões.
“O aumento na linha de custos se deve ao aumento dos novos negócios [clínicas médicas e de infusão] que tem um custo de materiais e medicamentos maior, além da construção de novas clínicas”, disse Jeane Tsutsui, presidente do Fleury, lembrando que os novos negócios já representam 10% da receita. Houve ainda o dissídio da categoria, que subiu acima da inflação.
José Filippo, diretor-executivo de finanças e relações com investidores da companhia, destaca que o endividamento continua no mesmo patamar de R$ 1,4 bilhão, o equivalente a 1,2 vez o Ebitda — uma das menores alavancagem do setor.
Com baixo endividamento e uma fusão aprovada, recentemente, com o Hermes Pardini, o Fleury está com maior poder de barganha para negociar com as operadoras de planos de saúde, hospitais e fornecedores.
Uma das frentes para capturar as sinergias previstas da fusão é na linha de custos. A companhia prevê um ganho anual de R$ 200 milhões a R$ 220 milhões no Ebitda.
Questionada sobre os reflexos para a companhia do movimento de migração de clientes para planos mais baratos, Jeane disse que a receita dos laboratórios da marca Fleury cresceu 17% no primeiro trimestre. Além disso, a companhia vem ganhando participação de mercado em praças complexas como o Rio de Janeiro, cujo número de usuários de planos de saúde não vem crescendo.
No próximo trimestre, haverá ainda a entrada de receita proveniente do contrato fechado com o Hcor para processamento de exames de análises clínicas.
Mesmo com a pressão na cadeia de saúde, o Fleury também está conseguindo manter o prazo médio de recebimento e glosas. Esse indicador que mede o volume de atrasos de pagamento por parte das operadoras está aumentando no setor. No Fleury, mantem-se na casa de 1% da receita.
Fonte: Valor Econômico