Lucro líquido tem queda de 15%, impactado por despesa financeira no primeiro trimestre
Por Beth Koike — De São Paulo
Jeane Tsutsui, CEO: “Conseguimos crescer no Rio, uma praça difícil”.
O Fleury – que teve aprovada uma fusão com o Hermes Pardini, no mês passado – registrou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 345,8 milhões no primeiro trimestre, o que representa uma alta de 6% quando comparado ao mesmo período do ano passado.
A performance no resultado operacional ocorre mesmo com os custos crescendo numa proporção superior ao da receita líquida que avançou 13,5% para R$ 1,2 bilhão. A linha de custos subiu 15% devido ao aumento da divisão de novos negócios (clínicas médicas e de infusão), cujas despesas com materiais e medicamentos é maior, construção de quatro unidades de ortopedia e dissídio da categoria de saúde, segundo Jeane Tsutsui, presidente do Fleury.
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Já o lucro líquido caiu 15% para R$ 93,9 milhões no primeiro trimestre por conta do aumento de 56,8% das despesas financeiras com a alta dos juros. José Filippo, diretor executivo de finanças e relações com investidores da companhia, destaca que o endividamento da companhia continua no mesmo patamar de R$ 1,4 bilhão, o equivalente a 1,2 vez o Ebitda – uma das menores alavancagem do setor.
Com baixo endividamento e a fusão aprovada com o Pardini, o Fleury ganhou maior poder de barganha para negociar com as operadoras de planos de saúde, hospitais e fornecedores.
Uma das frentes para capturar as sinergias previstas da fusão está na linha de custos. A previsão é de um ganho anual de R$ 200 milhões a R$ 220 milhões no Ebitda.
Questionada sobre os impactos do movimento de “downgrade” nos planos de saúde para o Fleury, que atende principalmente o público premium, Jeane disse que a receita dos laboratórios da marca Fleury cresceu 17% e sua participação em praças complexas como o Rio de Janeiro, cujo número de usuários de planos de saúde não vem aumentando, está crescendo.
No próximo trimestre, o Fleury ainda reportará aumento de receita vindo do novo contrato fechado com o Hcor para processamento de exames de análises clínicas.
Mesmo com a pressão na cadeia de saúde, o Fleury está conseguindo manter o prazo médio de recebimento em 66 dias e os índices de glosas (quando a operadora cancela ou atrasa o pagamento do procedimento médico para questionar valores, documentação, cobertura etc). Com a crise no setor, as operadoras tem usado essa prática fazer fluxo de caixa, segundo a Anahp, associação de hospitais privados. No Fleury, as glosas mantiveram-se na casa de 1% da receita mesmo patamar do ano passado.
Fonte: Valor Econômico