09/08/2022
Com a inflação anual de dois dígitos e o aperto na taxa básica de juro (13,75%) para contê-la, o endividamento das famílias e a inadimplência chegam a patamares recordes. É o que mostram pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Conforme o levantamento da CNI, 19% dos entrevistados deixam alguma conta para o mês seguinte, 3% recorrem a auxílios ou empréstimos para quitar os débitos, 2% precisam entrar no cheque especial para honrar os compromissos e 1% paga o mínimo da fatura do cartão e deixa o saldo para depois.
A maioria ainda consegue encerrar o mês com as contas em dia, mas 44% relatam que quase sempre ficam apertados, sem conseguir economizar nada.
Apenas 29% afirmam chegar ao fim de quase todos os meses com alguma sobra em dinheiro.
Foram entrevistadas, presencialmente, 2.008 pessoas em todas as unidades da federação entre 23 e 26 de julho.
A pesquisa indica que 60% já cortaram algum gasto com lazer, 58% deixaram de comprar roupas e sapatos e 57% desistiram de viajar nas férias. Os entrevistados também reduziram o gasto com transporte particular (51%), desistiram de comprar ou reformar imóveis (50%) ou adquirir veículos (47%) e suspenderam refeições fora de casa (45%).
Entre os itens cuja percepção de aumento de preço é mais sentida, estão o gás de cozinha, citado por 68% dos entrevistados, e o arroz com feijão (64%).
Na sequência, aparecem conta de luz (62%), carne vermelha (61%), frutas e legumes (59%) e combustíveis (57%).
?A aceleração da inflação levou a um novo ciclo de aumento de juros, o que desestimulou o consumo e os investimentos. Ao menos, estamos diante de um cenário de recuperação do mercado de trabalho, com redução do desemprego e aumento do rendimento da população ? o que nos dá uma perspectiva de superação, ainda que gradual, dessa série de dificuldades que as famílias estão enfrentando?, avaliou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.
78% estão endividados e 29% inadimplentes, diz CNC.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) afirma que o Brasil iniciou o segundo semestre com novo recorde de brasileiros endividados e inadimplentes. Em julho, 29% das famílias tinham algum tipo de conta ou dívida vencida, o maior patamar de inadimplência desde 2010, quando teve início a série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
O total de inadimplentes aumentou 0,5 ponto porcentual de junho para julho. Em relação a julho de 2021, a alta é de 3,4 pontos porcentuais.
O porcentual de famílias endividadas ? ou seja, com compromissos fnanceiros a serem pagos ? subiu a um ápice de 78% em julho, aumento de 0,7 ponto porcentual ante junho.
Em relação a julho do ano passado, houve um crescimento de 6,6 pontos porcentuais.
?O porcentual de comprometimento da renda permanece no mesmo valor, em 30,4%, desde abril, mas 22% dos brasileiros estão com mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas?, apontou a CNC, em nota.
Em julho, 10,7% das famílias afirmaram não ter condições de pagar seus débitos já atrasados, ou seja, permanecerão inadimplentes, alta de 0,1 ponto porcentual em relação a junho.
De acordo com a CNC, a maioria dos que permanecerão sem pagar contas ou dívidas já atrasadas de meses anteriores está entre os consumidores que não concluíram o ensino médio (13%) ? também os que mais precisaram atrasar pagamentos em julho (33,3%).
?As classes de despesas das famílias que ganham menos são justamente as que tiveram maiores aumentos recentes de preços, então elas acabam gastando uma parcela maior do orçamento para fazer frente ao aumento da inflação?, explicou a economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa da CNC, em nota.
?As famílias com menor renda foram mais afetadas e aumentaram o endividamento, a despeito dos juros altos.?
Fonte: O Estado de S.Paulo