O J.P. Morgan informou, em relatório publicado nesta terça-feira, que revisou a sua projeção para o caminho da taxa Selic. Agora, o time de economistas para América Latina do banco americano espera juros nominais de 12% no começo de 2025, de 11,50% na projeção anterior. Segundo eles, o caminho será de duas elevações de 0,5 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, com um ajuste final de 0,25 ponto em janeiro.
No relatório, a chefe de pesquisa econômica para América Latina do J.P. Morgan, Cassiana Fernandez, e os economistas Vinicius Moreira e Mirella Mirandola Sampaio afirmam que esperavam uma redução das pressões fiscal e cambial, o que permitiria ao Copom manter o ritmo de altas de 0,25 ponto nas próximas reuniões. No entanto, “eventos recentes questionaram essa narrativa”, com uma piora da percepção de risco fiscal e alívio contido no dólar.
Eles citam o último relatório bimestral de receitas e despesas do governo, que diminuiu a contenção de gastos total prevista para este ano, enquanto técnicos da equipe econômica focaram mais na parte da arrecadação, quando “o crescimento das despesas obrigatórias é o principal ponto sensível”, dizem os economistas.
“Embora os volumes associados às manchetes recentes sejam insignificantes em comparação com o tamanho geral do orçamento federal, eles colocam em questão a credibilidade da estrutura fiscal e seus principais parâmetros visíveis, ou seja, o limite de gastos e a meta primária para o governo central. Portanto, apesar de os dados marginais permanecerem consistentes com nossas previsões fiscais por enquanto, o aumento da incerteza fiscal vai contra a previsão de um ritmo mais gradual de aperto [monetário]”, aponta o relatório.
Em parte por conta da piora da percepção fiscal, o real apreciou menos contra o dólar do que os profissionais esperavam após o BC subir a Selic na semana passada, enquanto o Federal Reserve (fed, o banco central dos EUA) cortou sua taxa de juros em 0,5 ponto percentual. Por fim, os economistas do J.P. Morgan afirmam que a seca deve provocar um choque inflacionário e, assim, agora projetam um IPCA de 4,5% ao fim de 2024.
“Embora o choque primário relacionado aos eventos climáticos tenda a ser ignorado pelos membros do Copom, esse desenvolvimento reforça a assimetria no sentido de um IPCA mais alto no curto prazo e deve ser levado em conta devido a seus possíveis efeitos de segunda ordem, principalmente em um cenário em que o hiato do produto é positivo e as expectativas de inflação estão desancoradas” da meta do BC, de 3%, argumenta o J.P. Morgan.
Embora espere uma aceleração do ciclo de alta de juros, os economistas do banco ainda enxergam cortes da Selic na segunda metade do ano que vem. No entanto, a taxa básica deve ficar acima do nível “neutro” (que não estimula nem contrai a atividade econômica) de 10%, após cortes na magnitude de 0,5 ponto, concluem.
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Fonte: Valor Econômico

